a Menina Limão dá-vos cá um baile que só visto

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Esta Sexta, 29, toca a rockar em Aveiro.
Vou poder finalmente conhecer os Travelling Circus,* que virão de Setúbal (!) para nos fazer abanar a anca. enquanto eles estiverem no Mercado Negro a fazer estragos, eu e o Pedro estaremos no Clandestino, das 22h à 1h. Depois serão os circences a continuar a dura farra clandestina, até às 3h. Que ninguém duvide, vai ser para a desgraça (ofício que tenho vindo a aperfeiçoar e que atingiu o seu máximo expoente da última vez).


O cartaz à moda do Pedro é meu.


*os Travelling Circus estarão no Sábado, dia 1, no Uptown, na rua do Breyner, Porto.

acabadinha de chegar à minha caixa de correio:

"Beirut estreia-se em Portugal no Festival Músicas do Mundo de Sines. Dia 24 de Julho. "


Os rumores confirmam-se, não estamos a salvo. Espera-nos uma arma de amor maciça, um assalto gentil aos ossos, um veneno dissolvendo-se no sangue, docemente.
(obrigada, marco)


adenda: Beirut no Coliseu de Lisboa a 27 de Julho.


Zidane - Um Retrato do Século XXI

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Em exibição no cineclube de aveiro/cinema oita de 28 de Fevereiro a 3 de Março.


A banda sonora é dos Mogwai (quer-me cá parecer que vou adorar este filme).

Pôr a conversa em dia.

– Fala-me de coisas.
– Não me apetece falar do gajo.
– Não precisas. Fala só do que te apetece. Fala-me do outro gajo.
– Que gajo?
– Do trabalho.
– Foda-se!
– Pronto, pronto. A vida lá em casa?
– Foda-se!
– E se aumentássemos o volume do Richard Hawley e não falássemos?
– Boa. Põe aí a Lady Solitude.

time ain't gonna cure you honey, time it's just gonna hit on you

2008 é um número tão redondo e eu sou um caso tão bicudo.

do entendimento silencioso entre amigas

Quando, findo o concerto do Richard Hawley, me estende a mão com uma garrafa de água e me diz: queres restitui-la?.

Lady Solitude

Irei sentar-me de pernas muito juntas, muito tensas, e tentarei esmagar a solidão no escuro. Sentar-se-ão os fantasmas ao lado, naturalmente ocupam muito mais espaço que o meu corpo de bailarina. Depois, quando o Richard Hawley entrar, desistirei de tarefa tão inglória. ele estará lá para isso mesmo: abraçar a minha solidão, dar-lhe chocolates, emocioná-la, prometer-lhe um futuro duradouro como todo o amor anseia ter. Seres como o Hawley têm essa capacidade extraordinária de falar com a parte de nós que morreu. Alimentam a nossa morte restituindo-a à vida. O resto pouco interessa. A música, objecto intangível e abstracto, tão potencialmente inofensivo para tantos, tem o dom inigualável de impor aos nossos pensamentos uma lucidez implacável.



Wake in the morning feelin' low.
I don't sleep at night.
Oh you've broken my heart,
you dark moonlight.

I see a rainbow.
I don't know where it goes.
Going to follow my dreams.
Oh someday baby.
They're gonna shine for me.

And I'm leaving Lady Solitude behind me.
You understand.
Yes I'm leaving Lady Solitude behind me.
You understand.

I know the story, I know how it goes.
You've broken into my soul.
But you won't take it out on me no more.

I hear a whistle blowin', moanin' low,
as I ride that train.
Well you never wrote a letter.
You hurt your man again.

I'm leaving Lady Solitude behind me.
You understand.
Yes I'm leaving Lady Solitude behind me.
You understand.
I'm leaving Lady Solitude behind me.
You understand.

There's a river flowing.
Away from my door.
Think I'll sail away.
Oh and one day baby,
I will feel no pain.

Think it's raining in my soul.
Flowin' from my eyes.
Think this morning will see us
say our last goodbyes.

I'm leaving Lady Solitude behind me.
You understand.
Yes I'm leaving Lady Solitude behind me
.You understand.
Yeah I'm leaving Lady Solitude behind me.
You understand.

[momento cultural] esta livraria não vale a fibra-óptica com que se vai enforcar!*

Por falar em Lars Von Trier, hoje, no Gato Vadio, é exibido o seu primeiro filme “O Elemento do Crime”, às 23h.


O Gato Vadio (livraria/atelier de design/café-bar) é apenas o meu espaço mais-que-tudo do Porto. Tem a melhor livraria da cidade, a par com a Poetria. Neste caso, poucos os livros, mas bons. Para ser mais exacta, a selecção é irrepreensível. É um projecto arriscado este, o de se dirigir às minorias, optando por editoras como a &etc e por projectos como a Telhados de Vidro. E como eu me perco apaixonadamente por textos dramáticos ainda mais do que por romances e poesia, estou no sítio certo (se tiver dinheiro, caso contrário estou no sítio errado).


O Gato Vadio tem também o melhor café (aquele que se toma) da cidade, mas isto é altamente discutível, sei-o bem. O espaço é bonito, bem decorado, acolhedor, e ainda tem um agradável quintal-salva-fumadores.


A programação cultural vai-se construindo com lançamentos de livros e outros objectos editoriais, tertúlias, workshops de pintura, aulas de yoga e regulares ciclos de cinema, promovidos pela
Zoom. Já lá vi Bergman, agora preparo-me para o Lars Von Trier.


Os Vadios têm finalmente um
blog, onde publicitam os livros e as actividades culturais. Vale a pena inscreverem-se na mailing list, mesmo que não sejam das redondezas, só para ter o prazer de ler a prosa inspirada dos seus gestores.*


(enviem um mail para gatovadio.livraria[at]gmail.com com o assunto "mailing list")

Os Idiotas

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Em exibição no cineclube de aveiro/cinema oita de 21 a 25 de Fevereiro.
design (do cartaz do Cineclube que mais dores de cabeça me deu até hoje): menina limão.

Sobre o concerto dos Raveonettes no Theatro Circo (ou não tanto assim)

A miúda louca que saiu disparada das cadeiras do Theatro Circo e revolveu a 200 km/h as partículas de pó que até ali descansavam quais sornas no ar, e a quem Sharin Foo muito acertadamente apelidou de Little Animal, é quem me apetece verdadeiramente homenagear hoje. Porque eu, apesar de estar mortinha por ir dançar, nunca teria tido coragem de me juntar à comitiva se não fosse ela a tomar a iniciativa. Paula, és a maior.


(e devias considerar vir passar umas noites desvairadas comigo nos Mutantes e no Tendinha)


Os Raveonettes também são os maiores. Mesmo com um Sune Rose Wagner afónico a deixar a Sharin Foo cantar sozinha (preparem-se para sentir a falta da voz dele). Tenho a declarar que aqueles dois são muito comestíveis (até ele com o seu corpo escanzelado e penteado ridículo), que ela é ainda mais estonteante ao vivo e a cores (quero um penteado assim quando for trintona), que a bateria ultra minimal é surpreendentemente ribombante e que a união de tais guitarradas cósmicas filtradas pelas excelentes condições acústicas do Theatro Circo deixam qualquer corpo extasiado. No entanto, soube-me a pouco. Muito pouco. E nós (eu e mais uns dois ou três mortinhos por explodir) bem pedimos a Beat City. Acabámos com a Twilight. Menos mal. Compensaram com intensidade o que faltou em duração.

The sadness is mine.

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© Tender Letters


Tenho uma tristeza redonda mas incontornável. Carrego-a. A maior parte do tempo carrega-me ela a mim. Tenho-lhe, por isso, a estima do bicho abraçado pela própria toca. Não devemos desprezar o que nos acolhe nos braços sem reservas. Eu não penso se gosto dela, não é equacionável. Vejo a forma como se mantém intacta pelas estações, como escarnece das árvores que se renovam. A minha tristeza não se atira ao chão como as folhas, não se despega da pele quando tomo banho – antes me turva a água como me turva os olhos. Soube-lhe o travo desde o início, veio traindo a saliva ao primeiro beijo. Às vezes a tristeza passa dos meus fluidos para os teus e fecunda-te. É mais perigosa que o teu esperma. Não te enganes com os meus beijos, repara antes nos meus olhos. Tenho uma tristeza fotogénica. Uma amiga viu-me o rosto impresso e disse é este o teu olhar triste. É uma tristeza invejável. Mais verdadeira que muitas entregas de corpos na imprecisão da madrugada.

The sadness is mine
It’s why you're not healing me
Ryan Adams

i think we're gonna be in trouble tonight

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The Raveonettes no Theatro Circo, hoje.


Espero reagir bem à frustração de ser obrigada a sentar-me.
De qualquer modo, o corpo não resiste aos impulsos eléctricos, nem que tentasse.
Garantem-se cadeiras em agitação.

Now lick.

Permite-me discordar.


Homem que é homem cheira bem, mas não usa perfume. Porquê? Porque homem perfumado pode cheirar bem mas sabe sempre mal. Homem que é homem gosta de boa música, e não tem qualquer problema em dançar em público. Homem que é homem não diz I'm your man, diz I'm your man, but i can be your dog.

.

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Hoje nada tenho a dizer ao mundo. ou
melhor.
tenho a boca a rebentar de mudez.


calo-me de boca suja.


eu sou suja, repara.
e até isso é mentira.

They want to play hearts (twice)

eu sei onde é que metade da blogosfera fixe vai estar no próximo sábado:

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Preço normal 10,00€
Preço estudante e sénior 8,00€
Preço Amigo/a TAGV 5,00€



Há também uma after-party no Salão Brazil e uma conversa aberta ao público intitulada "Os territórios indie e as suas fronteiras".


Convidados: valter hugo mãe - escritor, editor, bloguer, vencedor do prémio Saramago de 2007 -, João Bonifácio (do Y - jornal 'Público'), Rodrigo Cardoso ('lead manager' da Borland) e Rita Moreira (voz da Oxigénio). A moderação da coisa vai ser da responsabilidade do Pedro Sousa e da Carla Lopes (ambos da organização do evento). A conversa acontecerá às 15 horas, no dia do concerto, no Foyer do Teatro Gil Vicente.


Descrição dos músicos e vídeos respectivos no blog das meninas e moças, cachopas e gaijas, de onde retirei a informação.

músicas que tratam por tu a nossa libido

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The Kills - Cheap and Cheerful
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© Erica Shires


If i could name you after how much i love you. *


*(mais ou menos Shelby Sifers)

O Sabor da Melancia

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Em exibição no cineclube de aveiro/cinema oita de14 a 18 de fevereiro.
design: menina limão.

Sweeney Todd

sem dúvida.
e tu, apesar da desilusão que subscrevo quase na totalidade, tens mais uma pietà para a tua fantástica colecção.

em apuros, mas ainda assim a meter nojo

Aos pobretanas, não lhes convém o passeio em espaços de encher os olhos com tentações várias, pois tudo se resume a um salivar irresolúvel. Gente em apertos nem se aproxima de locais como livrarias e tenta abstrair-se da doçaria que adorna as prateleiras. Por conseguinte, a gente dos bolsos vazios dá graças a feiras como a que decorre no Mercado Ferreira Borges e às liquidações como a que acontece na Editora Livros do Brasil, que sofreu (e já não era sem tempo) uma renovação gráfica, e pretende esgotar as velharias.


Gente em apuros traz para casa:


A Mulher Comestível, de Margaret Atwood
Lamentos da Vida, de Dorothy Parker
Um Mover de Mão, de Vasco Gato
Os Piratas, de Gilles Lapouge



Quem não tem dinheiro não tem vícios. É assim que se anunciam concertos com uma certa histeria, para depois ficar em casa. Ebony Bones? Balanescu Quartet? Nada. O dinheiro que existe não há-de chegar para The Raveonettes, não há-de esticar para o Richard Hawley. Agora, mordo a língua.

I see a darkness

A minha decisão de adiar o balanço de 2007 até ver todos os filmes desse ano em exibição foi acertada. Preparava-me para eleger Paranoid Park para filme do ano, mas depois vi Luzes no Crepúsculo. Percebo a eventual admiração por duas nomeações tão díspares.


Paranoid Park revela um Gus Van Sant genial na gestão daquilo que quer dizer sem o dizer, na experimentação de figuras possíveis e impossíveis sem nunca nos desgastar as pupilas, disparando um argumento simples em várias direcções. Muitas camadas.


Luzes no Crepúsculo, de Aki Kaurismäki, é uma escolha muito minha. O trailer fizera-me supor uma história totalmente diferente e afinal o que ali interessa é Koistinen, a pessoa mais triste do mundo. É também a mais apática, uma que a cruzar-se connosco nos irritaria e na qual desejaríamos descarregar a bênção de três pares de estalos. Então de onde vem o fascínio? Assombrando-me esta foto da Aino Kannisto como me assombra, e a tempo inteiro, Koistinen, Luzes no Crepúsculo, é aos meus olhos Aino-Kannisto-versão-masculina. É como se Aki Kaurismäki tivesse feito um ensaio contínuo da perturbação que se instalou nos rostos Kannisto (sim, há um rosto Kannisto e não é por se tratarem de auto-retratos). Serem ambos finlandeses talvez não passe de coincidência, da qual só me apercebi mais tarde.


Mas Luzes no Crepúsculo não se resume ao ensaio de uma tristeza estampada num rosto, de um torpor a dominar os gestos, de um total desencanto e inabilidade para o encanto. Se o fizesse, o Crepúsculo dispensaria as Luzes. O filme é todo esse ensaio durante duas horas, embora nos tente enganar com o enredo criminoso, mas há as luzes, não podemos esquecer-nos das luzes, porque há sinais ao longo do tempo que piscam o olho aos atentos e no fim há um corpo quase morto a esvair-se em sangue e nós que o vimos quase morto mas saudável todo o tempo pensamos que irá desistir com toda a naturalidade de quem fez da desistência uma tatuagem. Mas não, a mão dela estende-se à dele e esta recebe-a, não se fecha, antes abre-se, desabrocha e ouve-se da boca dele uma promessa. E desengane-se quem ousa ver um final feliz numa capitulação sem lugar para tamanha mentira: o que interessa é o peito que se abre uma outra vez depois de repetidamente repisado e esmagado até à morte.


Estranho este papel incontornável do amor: a capacidade para arruinar e para salvar da própria ruína a que antes condenara.

O amor escraviza, mas é a única libertação.
Caetano Veloso




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Aino Kannisto


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Luzes no Crepúsculo




Luzes no Crepúsculo
Paranoid Park
Death Proof
Lady Chatterley
Control
Bug
Inland Empire
Climas
Fay Grim
Planet Terror
As Cartas de Iwo Jima
Promessas Perigosas
Half Nelson


A desilusão do ano
Estrela Solitária


Bónus
Dead Man
Blush (de Wim Wandekeybus)


Os memoráveis do ano passado vistos este ano
Shortbus
A Ciência dos Sonhos

Limão põe mais um ovo

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A agenda cultural de Fevereiro do Mercado Negro já anda aí pelas ruas, pelas casas, pelos montes, tudo lugares muito cool, em Aveiro, Porto e Coimbra (no Porto já só se encontram na Maria Vai Com As Outras e talvez no Gato Vadio).


A preguiça dá-me para substituir a fotografia da agenda impressa pela imagem da capa na fase de desenho. Façam uso da imaginação: a impressão é em papel craft.


Design da agenda [na imagem, apenas o desenho da capa]: Menina Limão.

sabes quem é que aquela parece?

Às vezes somos apanhados desprevenidos e acontece que estamos a tomar café na Maria Vai Com As Outras e percebemos a presença de uma cara familiar e enquanto discutimos se ela é ou não propriedade da Alexandra Lucas Coelho, ela, a-cara-objecto-de-discussão, dirige-nos um sorridente adeus, provavelmente pensando que somos do espaço, e nós, que lhe teríamos dado um chocolate e um potezinho de barro se pudéssemos, não tivemos reacção. Alexandra, não vás dizer para a redacção em Lisboa que os portuenses são mal-educados porque não seria correcto: o Pedro é aveirense.
"Uma tragédia clássica. Troco coração contra coração, em combate, a peito aberto, disse ele. Ela acreditou. O Marquês."

popzinha mais viciante

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(a fotografia é da grande Autumn de Wilde)





De todas as bandas a que poderia dar destaque por estes dias, escolhi esta, as Tegan and Sara. Não por serem a melhor coisa que tenho ouvido, mas porque me conseguem impôr uma relação monogâmica por algumas horas, se necessário. Eu nem conheço mais músicas.* O resto pode ser uma banalidade. Não me interessa. Quem me conhece bem, sei que facilmente me adivinha o balancear do corpo ao ritmo desta música e um sorriso nos lábios. Duas meninas, uma no piano, outra na bateria - sou previsível. O melhor começa aos 3 minutos e diz-se run, run, run.


(e por falar em música, ainda quero, porque sou teimosa, demorar-me sobre a música que me marcou em 2007, nem que seja em 2027)

*já tenho o álbum e confirma-se: é bom.

A Natalie Portman é uma actriz tremenda. Adorável. Já a Keira Knightley...nem boa actriz nem boa atrás.

What's wrong with us?

Sou portuense. Não ia ao Arrábida Shopping há pelo menos 4 anos. As coisas que eu faço para ver o Darjeeling Limited.

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– I don’t wanna loose you as a friend.
– I promise i’ll never be your friend.
– If we fuck i’m gonna feel like shit tomorrow.
– That’s ok with me.



Se Wes Anderson desenhasse as suas personagens, do traço resultaria uma caricatura. Não uma caricatura tradicional, com traços proeminentes sublinhados para efeitos de escárnio, mas uma caricatura que amplia idiossincrasias. Wes Anderson recorre ao nonsense e ao exagero para amplificar o nonsense que reveste a normalidade das nossas vidas. O absurdo nunca nos distrai da mensagem e nós rimo-nos e sorrimos por dentro. Reconhecemos o jogo. É-nos tudo muito familiar. A vida rouba-nos a inocência tanto quanto nos rouba os anos. Custa crescer. Custa ainda mais crescer tentando preservar uma parte de nós pura, uma que resista, uma que ainda saiba reconhecer a inocência para quando é preciso fazer uso dela.


A composição espacial e a cor dos cenários são estudadas até ao mais ínfimo pormenor e é curioso que esteja tudo tão bem enquadrado para albergar personagens tão desenquadradas na vida. É este o poder de uma fotografia Anderson: a aparente contradição entre a absoluta harmonia e a estranheza dos corpos que a habitam. Mas a contradição não existe. Porque se todos os objectos estão no lugar, não interessa demorarmo-nos sobre eles. Os elementos visuais redireccionam-nos os olhos para o centro. Concentremo-nos nos desencontrados, aqueles homens cheios de fé inabalável que nos olham. Fitamo-nos mutuamente. Compreendes-me tão bem quanto eu a ti?


Um dos diálogos que mais gosto dá-se entre os três irmãos, a propósito de Peter não querer contar que a mulher está grávida. Francis pergunta-lhe porque é que não estão a celebrar e Peter responde que sempre pensou que eventualmente se divorciaria e, por isso, ter um filho era um acontecimento inesperado. E porque é que se havia de divorciar da mulher? Peter responde que ama a mulher, mas sei lá, foi assim que crescemos.



Jack – Have you been maced too?
Rita – No, i’m crying.


(…)


Rita – What's wrong with you?
Jack – Let me think about that. I'll tell you the next time I see you. (…) Thank you for using me.



(os diálogos foram escritos de memória. peço desculpa por eventuais imprecisões)
(estou viciada na banda sonora, é maravilhosa)

Paranoid Park - o meu segundo filme do ano chegou ao Oita.

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Em exibição no cineclube de aveiro/cinema oita de 7 a 11 de fevereiro.
design (que desta vez é pouco mais que a adaptação do cartaz original): menina limão.

sunday bloody sunday

Se estou bem? Claro que não. Choveu o dia todo e quando chove lá fora, o dilúvio sente-se cá dentro. Mas sempre tenho o Richard Hawley a cantar-me Lady Solitude. Para deprimir melhor.
Sobre a inauguração da exposição de poesia:


Houve algo de inusitadamente poético e irónico na teimosia do painel do
Happy and Bleeding em cair. O poema, que é um verso, pergunta-nos: E se fosse só amor, o amor? Figura no topo, bem acima das nossas cabeças, e fita-nos e nós fitamo-lo a ele. Raio de pergunta. Pesa tanto que até o painel descai. O amor, o amor. Olha, descaiu outra vez. Raisparta o amor.


Até que a Ana decide subir a mesa e dar-lhe o toque final, para que não descaia mais. Pronto, já está. A Ana prepara-se para descer. A Ana salta. A Ana dá com o joelho na cadeira, faz um corte fundo, sangra e ri-se. Happy and Bleeding, agora sim, está tudo no lugar.

O amor não brinca com a fatalidade: quando cai, dificilmente se levanta.

oh shut up and kiss me.

Façam de conta que o John é o Pedro e que o Garfield sou eu. Isto não é mais ou menos assim. Isto é exactamente assim.


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(eu gosto muito do Pedro e ele de mim)

You’re Not That Tough*

Não sou uma pessoa empática. Sei que não teria perfil para trabalhar em hospitais a aliviar a dor dos coitadinhos. Há dias, a minha empregada agarrou-se a mim em pranto e eu não soube se lhe havia de retribuir o abraço. O meu gesto resultou numa espécie de abraço manco, acompanhado de palavras atropeladas pelo desconforto. Parece que tenho uma deficiência emocional, uma peça em falta, aquela que nos permite facilmente colocar-nos no lugar do sofredor e sentir o que ele sente e agir em conformidade, com a doçura que advém dessa compreensão. Os primeiros contactos são geralmente enganadores. Tenho um rosto fechado. Averiguo a existência de certas características na outra pessoa antes de o abrir.



É como ter uma espécie de empatia em funcionamento radar: detectados certos pontos de interesse, ela actua. A atenção é agora genuína e a disponibilidade automática. Não é fácil admitir o que não joga a meu favor: não sou muito tolerante. Mantenho distância. Olá, tudo bem? e constato que me esqueci de sorrir. Mas nem sempre me apercebo da minha postura e é por isso que por vezes me choca saber que certas pessoas me acham antipática. E eu a achar que era tão simpática. Não existe orgulho nem arrogância nesta confissão. Não ser empática é um defeito. Sê-lo demasiado também. É desinteressante conseguir ler uma pessoa imediatamente e demasiado bem. Pouco espaço resta para a criação da expectativa, para o advento da surpresa.



A pessoa que não percebe existir em mim doçura iminente jamais se sentirá intrigada pela ambiguidade. As nossas melhores qualidades, como a capacidade para sermos doces, em pessoas pouco empáticas, só se manifestam perante outras que vão demonstrando merecê-lo. A nudez não é um acto. E muito menos se esgota em si mesma. Não acontece, vai acontecendo.




*