9.11.18

Resumindo

(E no entanto, este esquema que não prevê a gravidade dos três-ao-mesmo-tempo.)

Yea-eaaah

3.11.18

Contaminações, XVI

















1. Fotografia de Dr. S. D. Jouhar, Self Shadowgram (1958)

2. Poster de Kingu Kongu no gyakushû / King Kong Escapes (1967, dir. Inoshiro Honda) por Marek Mosinski (1968)

3. Poster de Czlowiek Na Torze (1957, dir. Andrzej Munk), por Stanislaw Zamecznik (1957)

4. Poster de Loong Boonmee raleuk chat / O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores (2010, dir. Apichatpong Weerasethakul)

5. Loong Boonmee raleuk chat / O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores (2010, dir. Apichatpong Weerasethakul)

6. Jin-Roh (1999), Hiroyuki Okiura

7. Village of the Damned (1995, dir. John Carpenter)

8. X: The Man With The X-Ray Eyes (1963, dir. Roger Corman)

26.10.18

Worshipping everything I lack is dumb

Girlpool, Picturesong (2018)

24.10.18

To think that

Drones, To Think Taht I Once Loved You, em Feelin Kinda Free (2016)

Hors chant

Há os que lambem os sorvetes
na ponta do iceberg
Os que fodem bem melhor
entre o primeiro e o quinto
Os que não pedem licença
para chegarem a velhos
E os que guardam esqueletos
em armários sempre abertos
Os que já matam o bicho
ainda o sol não desponta
E os que lêem romances
e ninguém lhes faz de conta.

Há os que correm o risco
de sair mesmo ao papá
Há os que fazem crianças
nos lugares onde se morre
Os que só vestem a roupa
por outros já muito usada
Há os que ousam dizer
se ninguém estiver a ouvir
Há os que gostam da rua
se ela for mal frequentada
E os que saem à semana
pouco antes da madrugada
com ar de cair da cama.

Há quem durma no jardim
mesmo na hora de ponta
Há quem aprenda espanhol
por pura correspondência
Há quem ande mascarado
por horror ao carnaval
Há quem venda o seu cuzinho
para não vender o resto
Há quem cague fora de horas
e coma fora do prato
Há quem seja pau mandado
só para mandar num rebanho
E há quem chore baba e ranho
quando toda a gente se ri
de um disparate tamanho.

Há reis com reis na barriga
e rainhas só de copas
Há segredos que se dizem
só para alguém os guardar
Há todos os que só atraem
para não serem traídos
Há muitos que acendem fogos
que não sabem apagar
Há santos em cada casa
e alguns fazem milagres
E há demónios à solta
que só podem causar danos
a quem conseguir prendê-los.

Há quem fique p’ra morrer
com vontade de matar
Há quem corra por desgosto
porque cansou de gostar
Há quem não saia do sítio
para não perder lugar
Há quem se ponha na fila
para ser mais indiano
Há quem se ponha às escuras
para crescer mais depressa
E há quem acenda uma luz
e a mantenha sempre acesa
para ser sombra chinesa

Regina Guimarães, 40 x Abril

-

Ao sair da prisão, esperavas-me,
com uma ostra fresquíssima sobre as palmas
das mãos. Será sempre essa a imagem
que guardarei de ti, quer fiquemos juntos
para sempre, como dizem os padres,
quer partas para a China mais longínqua,
que é o coração de outro homem.
Depois de cinco anos cimentado,
rodeado pela música torturante de respirações
sem freio e sem paz, trouxeste-me o mar
a uma terra interior, onde até os homens livres,
até as crianças, caminham de cabeça baixa.
Por isso, nunca te darei prendas no Natal
ou no teu aniversário: nada se poderia comparar
àquela lágrima feliz e vagamente sólida
que, nesse dia, me desceu pela garganta
até ao sítio indeterminado em que nos distinguimos
das feras. Posso apenas tentar confundir-me
com o tapete do corredor, com a torneira
da cozinha, com o creme que pões na cara,
de manhã ou à noite, e deixar que me dês o uso
que te parecer melhor, ou que não me dês uso algum,
e aproveitar cada minuto dos teus gestos mais leves,
que, também eles, se assemelham ao mar,
quando as noites são calmas e o luar o ilumina
na baía Cádis.

Miguel Martins

3.10.18

I have to sigh now

I’m so confused I’m so confused
I’m so confused I’m so confused

(You’re thinking too much)
I know
(You’re thinking about this too much)
I know

2.10.18

Dez dias, dez filmes #10

Nenhum filme teve tanto impacto, nenhum filme me deixou em semelhante estado. Com 20 anos eu teria tido coragem para explicar porquê, mas com 20 anos jamais poderia tê-lo compreendido.

Splendor In The Grass (1961), Elia Kazan. O filme que escolhi, a convite do Francisco Rocha, para a celebração dos 10 anos do My Two Thousand Movies e que ele partilhou por lá recentemente.

(E assim termina a rubrica Dez dias, dez filmes que tiveram impacto.)
 

Dez dias, dez filmes #9

Le Rayon Vert (1986), Éric Rohmer
(Dez dias, dez filmes que tiveram impacto.)

Dez dias, dez filmes #8

Un condamné à mort s'est échappé ou Le vent souffle où il veut (1956), Robert Bresson
(Dez dias, dez filmes que tiveram impacto.)
 

Dez dias, dez filmes #7

Não me recordo já se foi este o meu primeiro Lubitsch, mas o que eu queria com isto era que a minha 7.ª escolha fosse: «o meu primeiro Lubitsch». Porque filmes mais endiabrados não há e porque foi a partir dele que a minha relação com o cinema voltou a mudar. É o realizador que eu associo à minha «segunda vaga» de descobertas, quando as minhas investigações se tornaram mais sistemáticas, à dedicação de pelo menos um filme por dia, e quando eu compreendi que apesar de tudo o que já tinha visto, ainda me podia espantar brutalmente com um filme feito em 1931. Este espanto dizia sobretudo da minha ignorância – hoje sei que, em cinema, o espanto é lei.
Ainda tenho muitos Lubitsch para ver – e se isso não é um luxo e uma alegria, 'miguinhos.

The Smiling Lieutenant (1931), Ernst Lubitsch
(Dez dias, dez filmes que tiveram impacto.)
 

Dez dias, dez filmes #6

Mais outro que não se parecia com nada. Na altura nem o compreendi muito bem, mas nunca mais deixou de ressoar.

Persona (1966), Ingmar Bergman
(Dez dias, dez filmes que tiveram impacto.)
 

Dez dias, dez filmes #5

O meu primeiro Hitchcock. Podia ser outro qualquer. É caso para dizer que há um antes - a.H. - e um depois - d.H. - de um Hitch.

The Birds (1963), Alfred Hitchcock
(Dez dias, dez filmes que tiveram impacto.)
 

Dez dias, dez filmes #4

Um filme trazido à cidade pelo Cineclube do qual eu fazia parte. Fiz o cartaz, como sempre, e lembro-me bem do momento em que o terminei, contente.

Vi-o sozinha, e a meio tive vontade de puxar do meu caderno para tirar umas notas. Teve impacto, pois teve, nunca tinha visto nada assim (ainda pouco conhecia do cinema que o influenciara), e percebi logo que não era bem deste tempo.

Les Amants Réguliers (2005), Philippe Garrel
(Dez dias, dez filmes que tiveram impacto.)

Dez dias, dez filmes #3

Quando eu aprendi que nos podíamos comover com um filme mudo, tal como nos comovíamos com os outros.

Dez dias, dez filmes que tiveram impacto, uma série que também se poderia chamar Educação sentimental.
  Sunrise: A Song of Two Humans (1927), F. W. Murnau

Dez dias, dez filmes #2

Quando eu descobri que os filmes podiam ter este nível de coolness. Estávamos em 1999, para aí, e eu nunca mais deixei de adorar a Isabelle Huppert e o Martin Donovan e a Elina Löwensohn (estes dois tão subaproveitados que praticamente só os achamos nos filmes do Hal Hartley).

O meu pai tinha-o em VHS – coisa inédita. Esse carácter de objecto eleito junto às cassetes gravadas, mais as citações elogiosas que o acompanhavam, despertaram-me a atenção. Sei que o vi quando ainda não tinha idade para isso (14? 15 anos?) e que imediatamente se tornou no meu filme preferido. Revi-o mais uma ou duas vezes até aos 18, 19 anos. Hoje, tenho medo de o revisitar e descobrir que já não gosto dele da mesma maneira – pelo que o vou adiando.

Há dois meses conheci a Elina Löwensohn enquanto trabalhava na Linha de Sombra. Absolutamente tudo corria pelo pior nesse dia e continuou a correr depois desse encontro, que por isso se tornou numa espécie de «momento Sheryl Lee», quando esta surgiu a pairar como uma fada no Wild at Heart, espalhando o amor no meio do caos e devolvendo-me num ápice ao meu turbulento destino. Não tinha a certeza de que fosse ela, mas quando ganhei coragem para lho perguntar, o seu rosto abriu-se de imediato. Disse-se realmente surpreendida e contente por ter sido reconhecida – e desatou a falar comigo. Foi de uma generosidade tal, que ainda hoje tudo aquilo me parece incrível. Contei-lhe a história do VHS e que por causa deste filme e dos outros do Hartley, ela tinha sido um dos meus primeiros crushes no cinema. Explicou-me que hoje colabora sobretudo com o Mandico (que, aliás, também ali estava) e porque eu nunca tinha visto nenhum filme dele, ofereceu-se para mos enviar por e-mail. Retribuí passando-lhe um cartaz meu para a mão (e a sua reacção ao mesmo valeu tudo), nas costas do qual escrevi o meu nome e email. Não há fotografias do encontro porque me sinto ridícula a tirar selfies, mas lá lhe cravei um autógrafo nas costas de um marcador de livro. Desde aí, já trocámos dois ou três e-mails e, enfim, escusado será dizer que nunca cessa de me espantar ver o nome Elina Löwensohn a cair na minha inbox. Ele há coisas, Senhora.

Amateur (1994, Hal Hartley) é, portanto, a minha segunda escolha para a fina “rubrica” Dez dias, dez filmes que tiveram impacto.
 

Dez dias, dez filmes #1

Passaram-me este desafio no facebook e não vejo razão para não o copiar para aqui. Dez dias, dez filmes que tiveram impacto. Dizem as regras: sem título ou qualquer explicação, apenas uma imagem. Mas como escreveu Crampas a Effi Briest: A vida não mereceria ser vivida se todas as regras aleatórias tivessem de ser seguidas. E esta é uma regra que deve ser quebrada.

Cada um terá entendido isto do “impacto” à sua maneira. No meu caso, a lista que se segue não corresponde aos meus 10 filmes preferidos, embora alguns constem dessa lista. Uns terão tido impacto por razões que lhe são intrínsecas ou por razões biográficas ou circunstanciais. Mas a maior parte está aqui por ter sido transformadora de uma ideia de cinema. Por, em alturas diferentes da vida, ter, enfim, aberto mundos. Comecemos, então, com o filme que mais vezes vi na vida. Por todas as razões e mais algumas, é «o» filme.

Dumbo (1941)

27.9.18

Helénica (para uma revisão dos conceitos)

A Helena Almeida era a minha favorita. De todos. De sempre. Et voilà. (Não seria capaz de escolher uma imagem, porque tudo era um espanto, tudo.)

19.9.18

Vício instantâneo, II

(Não digam a ninguém que isto é de 2018...)

Shannon and The Clams, The Boy, em Onion (2018)

17.9.18

You're so cool

9.9.18

I got the feeling that something ain't right 🎶

30.8.18

We scream and shout till we work it out

– Que julgas? Que vinha fazer um regresso às origens? O que importa é o que tenho no sangue e ninguém mo tira. 

Cesare Pavese a comentar certeiramente o concerto dos Arcade Fire em PdC, no livro A Praia (lembrado pela Filipa Santos Júlio, a quem roubei a passagem à má fila).

14.8.18

Singing hallelujah with the fear in your heart



Não é todos os dias que atendemos o telefone em pelota e do outro lado está a Inês Nadais a perguntar-nos pelo concerto dos Arcade Fire de há 13 anos em Paredes de Coura. Apanhada desprevenida e em condição fragilizada, contei-lhe tudo. O mais fixe ainda é ela acabar o texto a tentar convencer-me a ir. Pois bem, respondo então por aqui: convenceste-me, eu vou. ❤️

(Saiu no Ípsilon passado, mas pode também ser lido aqui.)

30.7.18

Vou só pôr isto aqui