21.6.16

Love (2016)

Sobre Love, o filme de Gaspar Noé que emudeceu para sempre (?) o Capitão Napalm (calma, Capitán, aqui a silliness não tem uma season), direi apenas uma coisa (embora pudesse dizer várias, todas elas corrosivas, sobre a caca mole que mais me custou contemplar durante o tempo estabelecido pelo cagão-artista): num filme que encontra a sua justificação formal (o 3D) no plano de uma ejaculação direccionada ao espectador, entre tantas outras ejaculações do protagonista portador de piroca, não há um (UM) orgasmo feminino.

Ah, “a sexualidade sentimental”.

16.6.16

The ground beneath her feet









Menina Limão — © Sérgio, 2014

Vocês? Sempre a aprender.

Com a mulher que viveu duas vezes.

15.6.16

J de Jacobson

Logo nas primeiras páginas de J, os seus talentos literários saltam à vista, da capacidade de imaginar correlativos eficazes para sugerir sentimentos muito precisos, como Ailinn experimentando “uma sensação eclesiástica furtiva” ao entrar em casa de Kevern, ao dom de condensar um todo complexo na brevidade de uma expressão feliz, como na afirmação de que Kroplik “era mais portão do que porteiro”. Acha que estas qualidades são mais susceptíveis de ser notadas num livro como este do que num romance cómico? 

A questão da comédia é algo em que penso sempre. Quão cómico me vou permitir ser? Sinto hoje uma certa desconfiança, uma desvalorização da comédia. As pessoas acham que me esforço demasiado para ter piada, e eu respondo-lhes que só quem não tem um talento cómico natural é que pensa isso. Não me esforço nada. Mas é tão difícil escrever romances cómicos como outra coisa qualquer. Por outro lado, o mundo em que vivemos é muito circunspecto. Enfrentamos muitos agelastes [alusão ao neologismo de Rabelais para designar os que nunca riem], gente que não percebe as piadas, que não gosta de as ver nos livros, e eu não quero ter a cabeça constantemente ocupada com a distracção dessa luta. E se em J me contive mais, é também porque há no livro um certo pathos que se poderia perder com um excesso de comédia. Quando era um jovem escritor, tornei-me muito bom nessa técnica de tirar o tapete ao leitor quando ele está a ponto de se comover. Sei como se faz. Mas a comédia, às vezes, pode mesmo ser um mau hábito.

Word.

14.6.16

Se ao menos o Eduardo Mãos de Tesoura sentisse compaixão por mim



10.6.16

Gonçalo M. Tavares

Há pouco tempo, dizia o mesmo em conversa. Haja quem escreva.

Crítica de cinema live

Dois jovens adormecendo a ver o Deadpool.

5.6.16

Basket, Cross Record









Imagens do vídeo realizado por Andrew McGlennon para a música Basket, dos Cross Record.
  Cross Record, Wabi-Sabi (2016)

3.6.16

Caça à ostra

Está por saber se isso vai mesmo acontecer, mas não é certo que isso aconteça.

— Sofia Lorena, mais do que jornalista, filósofa do Público.

2.6.16

They need some therapy that's all

Personal life 

Wainwright's first marriage was to singer/songwriter Kate McGarrigle. During their marriage, which ended in divorce, they had two children, Rufus and Martha. Rufus was the inspiration behind two of Wainwright's songs: "Rufus Is a Tit Man" (referring to Rufus during breastfeeding) and "A Father and a Son", a retrospective. Wainwright's songs inspired by Martha are "Pretty Little Martha" (composed about her as an infant), "Five Years Old" (about her fifth birthday), and the brutally honest "Hitting You" (about her teenage years).

Both Rufus and Martha have become singer/songwriters. Rufus composed "Dinner at Eight" about his conflicted relationship with his father.[11] Martha composed the song "Bloody Mother Fucking Asshole" about, according to her, her father.[12] They sang a duet together on the song "Father Daughter Dialogue" (on Wainwright's 1995 album Grown Man), and collaborated on the song "You Never Phone" (on Wainwright's 2003 album So Damn Happy).

Nem sei por onde começar.

We need some therapy that's all

I wonder why you love me, baby
I hardly love myself at all
I think we're both a little crazy
We need some therapy that's all
I'll see a man, you see a woman
You need a mom, I need a dad
It's not our fault we have this problem

Our parents made us, we were had
I know that there's someone out there
Who knows what the hell is happening
You know that we must do something
Cause God knows and he's not helping
Just twice a week for just an hour
Just walk on it, just let it out

I know we'll both feel so much better
Don't let depression with the bout
Don't bottle up those awful feelings
You're not the one who knows it all
There is a nice big box of Kleenex
If you break down and start to bawl
I know that there's someone out there

Who knows what the hell is happening
You know that we must do something
Cause God knows and he's not helping
I'm full of fear and paranoia
You are hysterical and sad
Let's do it, babe, you know I love you

It costs so much, it can't be bad
I don't know why you love me, baby
I hardly love myself at all
I think we're both a little crazy
We need some therapy that's all
Just sixty bucks an hour, that's all

Exército de danação

— Boa tarde, menina. Sabia que estamos muito preocupados com a juventude?

Se não andasse tão preocupado com a juventude, já podia dar atenção a outras coisas. Que gravata horrível.

31.5.16

This be the verse

They fuck you up, your mum and dad.
They may not mean to, but they do.
They fill you with the faults they had
And add some extra, just for you.

But they were fucked up in their turn
By fools in old-style hats and coats,
Who half the time were soppy-stern
And half at one another's throats.

Man hands on misery to man.
It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
And don't have any kids yourself.

Philip Larkin

30.5.16

Contaminações, VII



Os Cinéfilos e os Outsiders.

(Ihih.)

Eu e os meus comportamentos obsessivos / 2014 em filmes (uma adenda)

Encontrei uma lista com filmes vistos em Agosto e outros em Novembro de 2014. Ora, eu dissera que nesse ano só anotara o que vira entre Janeiro e Maio, o que – acabei de perceber – não é verdade. Junho, Julho e Agosto já estavam incluídos no post, este último de forma incompleta. Portantos, acrescento à lista de 2014 os filmes que a minha recente febre de limpeza do computador resgatou do caos a que eu habituei as coisas.


Benjamin Christensen

Häxan: Witchcraft Through The Ages (1922)

Howard Hawks

The Big Sleep (1946)

Max Ophüls

Letter From An Unknown Woman (1948)

Anos 80

Kárhozat (1988), Béla Tarr

Anos 2000

The Grand Budapest Hotel (2014), Wes Anderson


Obrigados.

23.5.16

Bad habits e coincidências

Lido um dia depois de ter escrito o texto Dez para as dez, dois posts abaixo.

Claudia


Uma edição da Invicta Film

(+)

19.5.16

Dez para as dez

Estão dez pessoas neste café. Perscruto-as no sentido dos ponteiros do relógio. À minha esquerda, um rapaz debruça-se sobre o telemóvel. À esquerda deste, um grupo de quatro amigos estrangeiros estão calados, cada um deles envolvido com o seu telemóvel. No canto mais recuado do café, uma rapariga martela os dedos no computador. Junto desta, um homem fala ao telemóvel, adiando o início do jantar que arrefece no prato. À minha frente, na parede oposta àquela em que me encosto, uma mulher consulta o telemóvel. Na mesa ao centro, um rapaz sorri para o telemóvel sobre o computador aberto. Eu sou a décima pessoa deste café. Tenho um livro nas mãos, que vou lendo. Dentro de dez minutos, pegarei no telemóvel para escrever este texto. Dentro de quinze minutos, abrirei o computador. Os quatro amigos turistas já terão largado os seus telemóveis e falarão alegremente durante meia hora. A rapariga na parede oposta à minha já terá trocado o telemóvel por um papel e uma caneta.

Alé, Allez

Ainda bem que não me lembrei de me chamar Menina Melão. Cada final de campeonato seria uma redundância trágica.

14.5.16

Um clássico

Aos 31, com a devida distância.

12.5.16

Imitação de vida, you name it

Nunca me vou habituar a que as pessoas reajam mais ao objecto (ao filme ou à série) do que ao fragmento (ao texto, à citação). O Zé Tolo é que tinha razão em chamar-lhe Isto não é um blog sobre cinema. Pois não.

(Última remessa com aniversários, parabéns, traumas e aprendizagens.)

5.5.16

Thirty-one today / What a thing to say

Thirty-one today
What a thing to say
Drinking Guinness in the afternoon
Taking shelter in the black cocoon

I thought my life would be different somehow
I thought my life would be better by now
I thought my life would be different somehow
I thought my life would be better by now
But it's not, and I don't know where to turn

Called some guy I knew
Had a drink or two
And we fumbled as the day grew dark
I pretended that I felt a spark

I thought my life would be different somehow
I thought my life would be better by now
I thought my life would be different somehow
I thought my life would be better by now
But it's not, and I don't know where to turn
No, it's not, and I don't know where to turn
No, it's not, and I don't know where to turn

Easter comes and goes
Maybe Jesus knows
So you roll on with the best you can
Getting loaded, watching CNN

I thought my life would be different somehow
I thought my life would be better by now
I thought my life would be different somehow
I thought my life would be better by now
But it's not, and I don't know where to turn
No, it's not, and I don't know where to turn
No, it's not, and I don't know where to turn
No, it's not, and I don't know

Take a klondike bar from the pop machine / Hey it's ice cream

Está a chover, mas eu acordei-me com isto.

4.5.16

Say I'm alright


Trying hard to breathe
Head between my knees
Take my hand and squeeze
Say I'm alright

Whisper in my ear
Happy you are here
Everything seems clear
And we're alright
We're alright

Tell me not to trip or to lose sight
You are walking in my guided light
Take my hand and help me not to shake
Say I'm alright, I'm alright
Say I'm alright, I'm alright

It's okay to feel
Everything is real
Nothing left to steal
'Cause we're alright, we're alright

Tell me not to trip or to lose sight
You are walking in my guided light
Take my hand and help me not to shake
Say I'm alright, I'm alright
Say I'm alright, I'm alright
Say I'm alright, I'm alright

2.5.16

A Lula e o Tubarão

Showgirls (1995), Paul Verhoeven

(É avançar até ao minuto 2:07.)