17.12.14

And the Oscar goes to

Arrogantes os jovens e os sãos, os que têm tudo sob controlo, os que não vacilam ou vão de braço dado para o desamparo, os que ainda não perderam a beleza, os que não sucumbiram ao desgosto, à proximidade da morte, ao risível, à implosão da sua própria estrela. A tua fragilidade não me diverte, o teu falhanço não me anima. A única coisa que querias era resplandescer, ser ainda jovem e radiosa, vivaça como a vestimenta que escolheste, e aparecer no retrato de família, no lugar que ganhaste por direito. Porque não nos limitámos a saudar a tua presença, a ignorar a tua periclitância? No dia seguinte, Liza, achei tão triste, tu não?

2014, um balanço

O melhor de 2014 é aquilo que eu tenho planeado para acontecer em 2015.

Shit happens

Pensas que nunca te vai acontecer, que não te pode acontecer, que és a única pessoa no mundo a quem essas coisas nunca irão acontecer, e depois, uma a uma, todas elas começam a acontecer-te, como acontecem a toda a gente.

Paul Auster, Diário de Inverno, tradução de Francisco Agarez, Asa

Construção

If those whom we begin to love could know us as we were before meeting them… they could perceive what they have made of us.

Albert Camus (via Joana Linda)

14.12.14

Natureza

Assim que descobrem a verdade na natureza, encerram-na de novo num livro, onde a mesma se encontra em muito menos segurança.

Lichtenberg, Aforismos, tradução de João da Fonseca Amaral, Editorial Estampa

13.12.14

Despesa Diária, VII

Querida Luísa: já aí anda, cabisbaixo e à chuva, o meu sétimo texto para o Despesa Diária.

I, II, III, IV, V, VI.

9.12.14

Trabalho, III

(Confesso que revi muitas vezes. Foi feito para mim.)

Trabalho, II

Atendo o telefone.

– Bom dia.
– Olá, Cláudia, é o Hugo.
– Olá, Hugo. Já me reconheces à primeira?
– Sim, reconheci-te pela apatia.

Trabalho, I

Chamo a atenção para algo que foi mal feito. Colega recém-chegado pede desculpa pelo erro.

– Não precisas de pedir desculpa por causa de um engano.
– Ah... fizeste cara de má...

Colega (b) em meu auxílio:

– Aquilo não é cara de má, é a cara dela.

30.11.14

Despesa Diária, VI

Third world problems: está no ar o meu sexto texto para o Despesa Diária.

I, II, III, IV, V.

29.11.14

Future tense

(...)

e o futuro era só mais uma história que
me tinham ensinado a ler antes do tempo e
sempre com silêncios diferentes entre
cada parágrafo

(...)

Alice Vieira, Os Armários da Noite, Caminho

They love us, I

They hate us, I

26.11.14

Apontar é lindo


© Roland Topor

18.11.14

Despesa Diária, V

«Desisti que a realidade me acontecesse, mudei de estratégia. Agora digo às pessoas que me chamo Paulo. (...)»

Está no ar o meu quinto texto para o Despesa Diária. 
________

«De onde me situo, um pouco de luz, alguma poeira, nenhuma estrela. Tenho os quarenta à porta, junto com a publicidade. Não pedi nada. (...)»

O texto anterior (que me esqueci de partilhar).
________

I, II, III, IV, V.

14.11.14

Back to school

Trouble

I'm troubled, I'm troubled, I'm troubled in mind
If trouble don't kill me, I'll live a long time

10.11.14

Dear life (II)

Como um indivíduo para quem certos assuntos devem permanecer intocados pelo exercício humorístico, também eu não cedo às provocações das coisas que me acontecem: percebo que devem ter imensa graça, mas não consigo rir-me.

We shall die on the road to exile

(Ninguém imprime tanta tristeza ao primeiro verso como Maria Callas. Está tudo no modo como diz o primeiro «Signore ascolta», uma variação tão subtil que é difícil de explicar.)

8.11.14

Moriarty

I'm nothing but a lonely soldier
I don't wonder who is right who is wrong
Sing this song for you to sing when I'm gone
I'm gone

6.11.14

Häxan

A companheira do diabo podia ser jovem e bonita, mas às vezes era velha, pobre e desgraçada. 

Häxan: Witchcraft Through the Ages (1922), Benjamin Christensen

Há anos que não vou a outro

Kárhozat / Danação (1988), Béla Tarr

5.11.14

The lemon trees blossom and it’s Winter forever

Did I ever love you
Did I ever need you
Did I ever fight you
Did I ever want to

Did I ever leave you
Was I ever able
Are we still leaning
Across the old table

Was it ever settled
Was it ever over
And is it still raining
Back in November

The lemon trees blossom
The almond trees whither
Was I ever someone
Who could love you forever

Was it ever settled
Was it ever over
And is it still raining
Back in November

The lemon trees blossom
The almond trees whither
It’s Spring and it’s Summer
And it’s Winter forever

Did I ever love you
Does it really matter
Did I ever fight you
You don’t need to answer

Did I ever leave you
Was I ever able
Are we still leaning
Across the old table

1.11.14

Why I choose vulnerability

«(...) The more I blogged the worse it became. I received hate-mail thousands of words long. Then websites filled with anonymous haters. In those first years I took it all to heart, labelling people’s issues with me as my ‘flaws’. I thought if I was good enough no one would hate me and so I needed to fix myself. I even felt guilty that who I was had caused people to feel so negatively. So I wasn’t quite as cheery or loving, I toned down my writing and confidence and I didn’t share as openly. It didn’t matter if I had good intentions or genuinely wanted to make the world a better place. Every time I shared anything my head filled with countless judgemental voices, picking it all apart.

I knew reading all the hatred was making me depressed but it was so littered with lies and assumptions I was afraid if I didn’t clear them up people would believe them. (...)

I was embarrassed that I let it get to me, I am embarrassed even sharing this. It feels like I am looking for pity but I am not. I always felt like I was being weak. (...)

I decided to stop reading the hate. (...)

One day I was staying with my friend Zelda in LA. Her Father is Robin Williams and all her life she has had to deal with negative attention and gossip. She said to me “You don’t need to post about your life Nirrimi. You’re a photographer. You have a choice to not make it personal.” She was right and her words have stuck with me for years. It made me think about why I did blog the way I do. Why I choose vulnerability. (...)»

Nirrimi, Fighting hate with love 
(Obrigada, C. [C. de Grande, claro])