27.1.15

I can do this all day like it ain't nothing

Janeiro de 2015 e eu já vi o rabo do ano. É triste.
Não podendo partilhar convosco o ser com vida própria que me roubou a concentração às portas do meu local de trabalho, tomando conta da conversa que eu estava a ter ao telefone, deixo-vos com aquela que será a melhor celebração possível do Dia da Independência do Rabo. Cá em casa ainda não parámos de deitar foguetes (um por cada vez que conseguimos clicar no stop).

25.1.15

Repete-se, repete-se, repete-se: Mário Henrique Leiria

A morte sem fim

«Escala de Grimes, ix. Até ao momento da morte, a morte é sempre lenta, exactamente como nos versos da canção de Gainsbourg, jour après jour les amours mortes 
n’en finissent pas de mourir. Segismundo

(Post do danado do Segismundo [olá, carapau, ainda estamos meio vivos] no Albergue dos Danados.)


18.1.15

Mulher Activa

«Andas muito activa no blog, agora.»
Eu faço o que eu quero. Na maior parte das vezes, faço o que posso.

Eww, I mean why

Se dura há um ano, ainda pode ser considerada uma fase? Se já não é fase, é o quê? Doença? Fase ou doença, quando é que passa? Não me diga que é quando eu quiser (pôr o dedinho na tomada).

Eww, cinema

– Eu gosto de filmes, não gosto de cinema.

Via Bestiário e suas contribuições para o grande romance do atendimento ao público.

Not tonight

In the back of the cab, the girls sit there giggling
The driver lets them smoke out of the window
So they're shivering.
They pass a bottle of wine back and forth
Let it clash against their teeth.
The cab moves fast through the streets.
'Who was that guy you was with?'
Becky shakes her head softly,
'Him? I don't know, probably alright,
But I could tell he was one of them "save me" types,
And I couldn't be dealing with that.
Not tonight.

Kate Tempest, Marshall Law (mu-si-cão)

Trabalho, IV

– Estás sempre de ressaca quando vens do Porto.
– Não é só quando venho do Porto.

De novo, o futuro

Lamento ter-lhe ocultado a razão exacta pela qual quis consultar o documento que teve a amabilidade de me facultar. Mas será que lhe menti quando lhe disse ser editor de arte?
Apercebi-me de que acreditara. É a vantagem de ter mais vinte anos do que os outros: ignoram o nosso passado. E mesmo quando nos fazem distraidamente algumas perguntas sobre o que foi a nossa vida até então, podemos inventar. Uma nova vida. Eles não irão verificar. À medida que relatamos esta vida imaginária, intensas lufadas de ar fresco atravessam um local fechado onde há muito sufocamos. Abre-se bruscamente uma janela, as persianas batem com o vento forte. Temos, de novo, o futuro à nossa frente.

Patrick Modiano, No Café da Juventude Perdida, tradução de Isabel St. Aubyn, Edições Asa

17.1.15

No, no, no, Lemon




15.1.15

I live among you well disguised

I had a name
But never mind

~

Thought I conquered something / Then it took me down

Thought I had a clue
It was passing by
Thought I had an answer
It was just a side
Thought I had a dream once
Don't remember what
Your voice cut straight through me
Right down to my bones
Like a winter's wind it
Knocked out my soul
Thought I had some time here
Left my watch at home
Thought I had ideas once
But they were all on loan
Thought I conquered something
Then it took me down
What I thought I heard clearly
It wasn't sound
Thought I felt your heartbeat
It was just my counting
Unto what thoughts will
My life be amounted

I can hear you crying
And i am crying, too
The world might be lying
But so are you

I can see you dancing
If you'd just take the step
You might still have it in you
Give yourself the benefit
And dance slow decades
Toward the sun
Even when you're the only one

Don't look around
It's not right
It's not wrong
Dance because you know the song
I dance because
I know this one

11.1.15

HUAC

«É, ou alguma vez foi, amigo ou conhecido de X, Y ou Z?», pergunto, impiedoso, HUAC de mim mesmo.

Pedro Mexia, no Malparado

Contaminações, III

Tudo o que é interessante passa-se na sombra, decididamente. Não se conhece nada da verdadeira história dos homens.

Céline em Obra Escrita 1, João César Monteiro, Livraria Letra Livre


Diz a verdade quem diz a sombra.

Paul Celan, Não Sabemos Mesmo O Que Importa, tradução de Gilda Lopes Encarnação, Relógio D'Água

Livros 2014

Alice Munro, Amada Vida, Relógio D'Água
Virginia Woolf, Monday or Tuesday, Hesperus Press
Virginia Woolf, Um Quarto Que Seja Seu, Vega
Dorothy Parker, The Sexes, Penguin
Grace Paley, Pequenas Contrariedades da Existência, Relógio D'Água
Stefan Zweig, Mendel dos Livros, Assírio & Alvim
Henry James, Daisy Miller, Presença
_
Susan Sontag, Ensaios Sobre Fotografia, Quetzal
Rogério Casanova, Trabalhos de Casa (2008-2012), Relógio D'Água
_
BD
David Mazzucchelli, Asterios Polyp, Pantheon
Jason, You Can't Get There from Here, Fantagraphics
Jason, The Left Bank Gang, Fantagraphics
Jason, Hey, Wait..., Fantagraphics
Jason, I Killed Adolf Hitler, Fantagraphics
Jason, The Living and the Dead, Fantagraphics
Jason, Pocket Full of Rain and Other Stories, Fantagraphics
Jason, Sshhhh!, Fantagraphics
Craig Thompson, Blankets, Top Shelf Productions
Julie Maroh, Blue Is the Warmest Color, Arsenal Pulp Press
_
Isso é tudo muito bonito mas a gente quer uma lista mais curta.

Alice Munro
Virginia Woolf
Dorothy Parker
Susan Sontag
Rogério Casanova
David Mazzucchelli
Jason
_
Vá, duas obras e não se fala mais nisso.

Amada Vida (Alice Munro)
Asterios Polyp (David Mazzucchelli).

Boa cena.

Palavras de desordem

A fuga, a fuga, a fuga continua.

Se hoje estou a beber vinho



é só por culpa deste livro.

9.1.15

Pandinha

Seis meses a viver no Príncipe Real e nem um choque frontal com o Panda Bear no supermercado. Ou em qualquer outro lugar onde eu pudesse amachucá-lo. Que pena. Depois desta peça da Pitchfork sobre a sua vida (interior) em Lisboa, fiquei ainda com mais vontade de lambuzá-lo. O que é que há para não gostar nele? Vamos ouvi-lo.

8.1.15

Greet each day with enthusiasm

© Crimes Against Hugh's Manatees 

Perdida por 100

– Não devia estar a beber vinho.
– Pois não, devias estar a beber whiskey.

7.1.15

2015, yay

27.12.14

Meninas

Quando as meninas
fitam o nada
de olhos vagos

Uma brisa cruel
vacila e sussurra
no seu peito

Estão a ver um anjo
– imagino

Mas as mães
            desesperam


Maria Teresa Horta, Meninas, Dom Quixote

26.12.14

Pais a caminho

Chegou aquela altura do ano em que parece mal viver como vivo nos restantes 360 dias.

17.12.14

And the Oscar goes to

Arrogantes os jovens e os sãos, os que têm tudo sob controlo, os que não vacilam ou vão de braço dado para o desamparo, os que ainda não perderam a beleza, os que não sucumbiram ao desgosto, à proximidade da morte, ao risível, à implosão da sua própria estrela. A tua fragilidade não me diverte, o teu falhanço não me anima. A única coisa que querias era resplandescer, ser ainda jovem e radiosa, vivaça como a vestimenta que escolheste, e aparecer no retrato de família, no lugar que ganhaste por direito. Porque não nos limitámos a saudar a tua presença, a ignorar a tua periclitância? No dia seguinte, Liza, achei tão triste, tu não?