20.6.18

Vertiges (um agradecimento)

É amanhã que teremos uma oportunidade rara de ver Vertiges, um grande filme de Christine Laurent a que é difícil ter acesso.

Pessoalmente, gostaria de agradecer a um conjunto de pessoas que contribuíram para que esta sessão pudesse acontecer: Christine Laurent, Mário Fernandes, Cristina Reis, Sofia Marques, Paulo Soares, Francisco Rocha, Luís Miguel Oliveira, João Ricardo Oliveira e Manuel Mozos. Que esforço colectivo tão bonito.

Deixo-vos com este precioso gif.


Até amanhã, às 21h30, na Cossoul.

19.6.18

Vertiges, de Christine Laurent



 
© Menina Limão

Pascacinhos, esta quinta, dia 21, temos a 3ª e última sessão do ciclo Imagens do Teatro, com a exibição de Vertiges (1985), de Christine Laurent. Vertiges é um filme tão raro que nem a internet vos safa: há apenas uma cópia com fraca qualidade e sem legendas no Karagarga e nós vamos passar uma cópia melhor, enviada por uma amiga da realizadora com o seu consentimento e – uepá! – legendada por nós. Uma trabalheira que prova a vontade que temos em exibi-lo e que espero que seja devidamente recompensada pela vossa presença.

Manuel Mozos, que foi actor no filme com apenas 26 anos, estará presente para uma conversa com o Luís Miguel Oliveira. Vai ser especial também por isso.

Para além de Mozos, são actores no filme Magali Noël, Krystyna Janda, Paulo Autran, Maria de Medeiros, Luís Miguel Cintra, Jorge Silva Melo, etc.

Sobre Vertiges escreveu Serge Daney na altura:

«Vertiges é o segundo filme de Christine Laurent. Um grupo de teatro ensaia As Bodas de Fígaro. Há quanto tempo não víamos uma coisa tão sensível e tão rigorosa acerca do canto, do teatro e da “paixão de ser outro”? Há séculos, pelo menos. (...) Há mais respeito pela ópera (o respeito deslumbrado de uma criança que cresceu nos bastidores) neste filmezinho ambicioso do que no Don Giovanni de Losey e no Carmen de Rosi juntos. Aqui, não se faz nenhuma releitura, deixa-se Mozart e a luta de classes no seu lugar (muito desconstruídos), e o que se faz é unicamente acompanhar os cantores. Não do palco até à cidade (ideia compensadora, mas vulgar), nem sequer do palco até aos bastidores (ideia fácil, mas curta), mas decididamente da voz até ao silêncio. Porque, quando a voz já não é portadora, por muito que o corpo se agite, balbucie, grite, entra num estado de silêncio. (...)» –Serge Daney, no Libération, em 1985 (excerto retirado daqui).

Mais info no evento de facebook.

18.6.18

On Chesil Beach

O filme está quase a estrear e eu padeço daquela doença dos "livros primeiro". Há 10 anos que queria lê-lo.

(Ao menos aqui ninguém pode mandar postas de pescada sobre isto não ser um livro.)

12.6.18

Lenny, Lenny

O que me impressiona em Lenny (1974, Bob Fosse) é que objecto e personagem se confundam, que o filme se enforme da mesma matéria do indivíduo que é o seu centro e seja ele mesmo energia, pulsão e vertigem. Que mesmo que consigamos reconhecer as opções, formais e outras, que contribuem para esse resultado (a montagem; um registo de filmagens muitas vezes próximo do documental [como o documental devia ser], dando a impressão de que estamos a ver pessoas reais em vez de personagens, com entrevistas [como as entrevistas deviam ser filmadas, a parecer ficção]; a fotografia contrastada, por vezes estourada dos holofotes; um Dustin Hoffman como nunca o vimos [ele nunca foi tão cool, nem tão desesperado]; e um olhar próximo e ao mesmo tempo nada contemplativo sobre as personagens, etc, etc), o todo é claramente maior do que a soma das partes. Ficamos sem saber exactamente como é que Bob Fosse consegue aquilo. É tremendo.

8.6.18

Postais quotidianos

Estou a comer um bitoque ao lado de uma senhora que também está a comer um bitoque e que é maluca, fala sozinha, ou talvez fale com o bitoque, não sei, mas alguma coisa a apoquenta, porque vai cortando a carne e dizendo "Oh meu Deus", "Oh meu Deus", talvez, quem sabe, dando voz à própria carne, a cada golpe.

5.6.18

Vício instantâneo

Agora é o mano que me manda música.

Haru Nemuri, Yumewomiyou, em Harutosyura (2018)

4.6.18

Imagens do Teatro :: Ilusão, de Sofia Marques

Camaradas e demais pascacinhos,

Eu e o Luís Miguel Oliveira estamos a organizar um ciclo de cinema na Cossoul (ali em Santos, Lisboa), a que chamámos Imagens do Teatro e depois de (em Maio) termos passado o filme Ainda não Acabámos: Como se Fosse uma Carta, de Jorge Silva Melo, esta quinta-feira, dia 7 de Junho, pelas 21h30, vamos exibir o filme Ilusão, de Sofia Marques, numa sessão com a presença da realizadora e do Luís Miguel Cintra (!). A sessão é apresentada por mim e pelo LMO, que estará à conversa com os convidados no final. A entrada é livre – apareçam!

+ info aqui.

 
© Menina Limão

30.5.18

Querida celebridade cliente das livrarias desta vida,

Podes sempre contar comigo para não fazer puto de ideia de quem és.

10.5.18

( ͡° ͜ʖ ͡°)

3.5.18

I II III

Stellaaaaaaaaaaaaaa

As melhores são as que gritam.

Stella Donnelly, Talking, em Thrush Metal (2018)

Lisbon Revisited

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Álvaro de Campos

1.5.18

Contaminações, XIV



Lucky Star (1929) Frank Borzage // Asphalte (2015) Samuel Benchetrit

(Um homem supera o traumatismo que o vota a uma cadeira de rodas, com a qual não consegue deslocar-se naquele momento, conseguindo arrastar as pernas bambas pela cidade para ir ao encontro da amada, que já não acredita que apareça. No Lucky Star, é de cortar a respiração.)

19.4.18

Enquanto pestanejo freneticamente

Procuro o «Peças escolhidas 2» e o «Peças escolhidas 3», do Ibsen. Aceito empréstimos, faço promessas (de cuidar bem deles, de os devolver rápido, de peregrinações a Catarina [cada um com a sua Fátima]).

(◕‿◕✿)

Ecce Bombo (1978), Nanni Moretti

9.4.18

Lisboa, duas da manhã

Marty, Marty Toca os Blues (2018)

«se estivesses em queda livre, arranjarias certamente maneira de flutuar no ar»



I am going to make it through this year
If it kills me

8.4.18

-

© Will McPhail

Eco

John Gerrard, Western Flag (Spindletop, Texas), 2017

da exposição Eco-Visionários: Arte e Arquitetura após o Antropoceno, que inaugura dia 10 no MAAT.

My ass

Pessoas que não me gramam tratam-me por «minha querida». Estou a pensar concluir que, aliás, é assim que se vê.

Distúrbios

A pinça vai ficar para sempre a tentar apanhar o ponto de exclamação.

6.4.18

U ri Sunhi

via LMO.

I go to sleep

...and imagine that you're there with me 

(giro, o vídeo.)

31.3.18

Fashionista

Só tomo drogas que combinem; os médicos que me aturem.

Os meus sentimentos

No wonder why you’ve been buggering me
Cause this walk it’s a previous journey
And no wonder why the road seems so long
Cause I had done it all before
And I won

I’m sending my condolence
I’m sending my condolence to fear
I’m sending my condolence
I’m sending my condolence to insecurities

Agradeço ao Benjamin Clementine ter-me feito cantar em uníssono com o Campo Pequeno, repetidamente e cada vez mais alto: I’m sending my condolence to fear / I’m sending my condolence to insecurities (e não é por já ser costume que há-de perder significado).