Vou para o Andanças, procurar o homem da minha vida.
Nota: A julgar por alguns comentários, acho que me interpretaram demasiado à letra... Não estou à caça de homens, estou à caça de mazurkas. Conferir o sentimento aqui.
Trio Solune – Solitude (mazurka)Não se assustem com a quantidade de novos posts que a noite produziu na sua insónia. Terão 3 semanas para digeri-los (ou ter uma congestão). Estou de partida, novamente. Duas semanas de arrasto para as terras do Sr Presidente, com ligação directa para o Andanças.
O lado positivo de ser obrigada a vegetar é que vou fazê-lo em boa companhia:
Ana Hatherly, 463 Tisanas, Quimera (leitura actual)
Joaquim Manuel Magalhães, Alta Noite Em Alta Fraga, Relógio d’Água
Maria do Rosário Pedreira, Nenhum Nome Depois, Gótica
Thomas Pynchon, V., Notícias Editorial
Michel Houellebecq, Plataforma, Bertrand Editora
Richard Adams, Era Uma Vez em Watership Down, Via Óptima
Vasco Gato, Um Mover de Mão, Assírio e Alvim*
Ana Luísa Amaral, Coisas de Partir, Fora do Texto*
Anuário de Poesia – Autores Não Publicados – 1985, Assírio e Alvim*
*estes vão-me valer uma multa na Biblioteca Almeida Garrett. É o preço a pagar pela (boa, espero) poesia. Se alguém quiser interceder a meu favor, força.

O que é para ti um MAU filme?
É um filme do Movimento Audiovisual Ulceroso.
Remakes ou sequelas: havendo apenas estas duas escolhas sem opção de recusa, qual assistirias?
Não respondia a perguntas sobre primeiros-socorros desde a escola primária. Dependendo da gravidade da situação, talvez assistisse o remake. Em caso de vida ou morte, que morra a sequela, quase sempre me faz pensar “para que vieste ao mundo sua estúpida?”.
Que tipo de filme português gostarias de ir ver ao cinema?
Um bom filme.
Que cliché cinematográfico já não tens pachorra para ver novamente?
Eu tenho muita pachorra. Só que no fim desanco no filme.
Qual é o teu fan video preferido?
O que vale é que eu sempre gostei mais de bugalhos.
Meu caro, vou quebrar a corrente. Ou não, passo-a ao Pedro. Vai dar ao mesmo.
On The Road - os despojos
A vida opera aleatoriamente com um grande sentido de oportunidade. Prestes a entrar no carro, rumo a qualquer lado bem longe daqui, o livro que até agora me falava em bugalhos começa a ficar mais branco. Todas as páginas dali em diante me ditaram viagens.
Sevilha #2
Episódio dramático: perder todas as minhas fotos e vídeo On The Road após dois dias de viagem. Estraguei o cartão.
Algumas das fotos aqui apresentadas são minhas, outras são da minha amiga.

Grande ideia: sombrinha nas ruas sob 30 e tal graus.

Deformação profissional: fotografar placas toponímicas.



Aquisições #1 - deusa romana

© Menina Limão
[faz de conta que está aqui uma foto de uma t-shirt amarela com um touro engravatado.]
Badajoz
Badajoz às três da tarde é como o primeiro minuto de 28 Dias Depois – uma cidade fantasma. Se a ideia era recobrar energias, parámos no sítio certo. A tarde fez-se entre esplanadas e pedidos de cerveja gelada, esperando saciar uma sede louca sob 32 graus e brisa inexistente.
Badajoz é feia. Mas tem sex-shops.

Aquisições #2 - Princesas, ilustrações de Rebecca Dautremer

© Menina Limão
[faz de conta que está aqui a foto dessa maravilha chamada Burning In Water, Drowning In Flame do Bukowski. (ena ena)]
Lisboa #1 (SBSR) - Gulbenkian
Momentos há em que me pergunto porque raio ainda me presto a falar com artistas. Nesta exposição, intitulada Sítio das Artes - Residência de Artistas, vários artistas nacionais e internacionais apresentam obras candidatas à bolsa da Gulbenkian. Estas encontram-se em processo de criação e algumas, possivelmente, não serão acabadas. Dia 28, apresentar-se-ão os resultados ao público.
Não tenho a menor dúvida que, na impossiblidade de julgar alguns trabalhos impossíveis de perceber pela escassez ou ausência de material disponível (é o caso dos músicos, por exemplo), a obra mais consistente (o percurso artístico até) pertence à Inês Botelho. É mesmo muito bom o seu trabalho.
Então lá vou eu perguntar-lhe se tem site:
Inês Botelho - não...ainda não tratei disso. Mas podes deixar o teu mail [coisa que já tinha feito] e assim recebes informações sobre as inaugurações. Vens à inauguração...bebes um copo de vinho...e passas a pertencer ao círculo de artistas feminino [ri-se].
Disse feminino ou feminista? Não me recordo já. Mas não faz qualquer diferença. Fiquei a pensar que a moça precisava de umas aulas de lógica. E de um roteiro espiritual - "como ser pedante sem o demonstrar em público".
Aviso: não tentem tirar fotos ao trabalho da Joana Craveiro. Ela não quer e está no seu direito. Só que reaje como se essa proibição fosse um dado adquirido e como se não estivessemos num museu, ponto número um, e num museu onde se pode fotografar sem flash como em todos os outros, salvo indicação contrária, ponto número dois.
"não podes tirar fotos, tipo é o meu trabalho ...direitos de autor, né?" - imaginem isto dito de um modo brusco, arrogante e muito mal-educado e não terão chegado perto do teor desagradável que assumiu.

Já a Vera Santos, perguntou-me se eu iria ao espaço se pudesse, anotou a minha resposta e tirou-me uma foto que há-de lá estar. e eu sem poder reclamar da triste figura.
Vera Santos

Várias perguntas formuladas pela Ynaiê Dawson:

Lisboa #2 (SBSR) - Gulbenkian - Artistas Portugueses
Helena Almeida (e eu emocionada)

Julião Sarmento

Lisboa #3 (SBSR) - Colecção Berardo
A colecção Berardo é... apaixonante.
por exemplo, este David Hockney é genial:


Episódio tragicómico:

(sim, é mesmo verdade, eu presenciei isto)
Indivíduo dos seus 60 anos, muito seriamente observa o quadro e num segundo comenta para a mulher:
- o puto é a cara chapada do pai.
(...)
Aino Kannisto, de cortar a respiração:

O mesmo indivíduo de 60 e picos foi fotografado a contragosto pela mulher junto desta escultura lindíssima. A foto não revela os genitais de ambas as figuras. Mas com certeza para o senhor em questão foi melhor que viagra. Muito à frente.

Ernesto de Sousa, em dois grandes painéis que farão as delicias dos designers:


E mais não mostro. Teria de publicar muito mais fotos para provar o fascínio da colecção. Uma chatice. E depois não teria piada. Vão ver, mas vão com tempo. É imperativo ver este filme do Pierre Coulibeuf "Marina Abramovic protagonista de um grande filme (Barroco Balcânico)". Mesmo.
Já agora, mais uma vez por deformação profissional, fotografei a sinaléctica do CCB. É demais.
Coimbra #5
Coimbra #3
© Menina Limão
A lua hiante e dois olhos como fossas, um nariz e uma boca negra, um espasmo mudo. Não percebo o que faz o grito da lua na minha paz. Nos meus ouvidos os violinos esfuziantes no torpor do acordeão do Stephane Delicq e a humanidade parece menos suja.
O final de tarde traz um anoitecer quieto. Pousámos os olhos umas nas outras e dissemos tudo nos intervalos do dobrar dos guardanapos.
SBSR 2007 já tem nome

Eu adoro os Arcade Fire. São geniais. Conseguir explicar o modo como a sua música opera em mim é um exercício de escrita redondamente falhado. Vê-los era a minha prioridade. O concerto foi belíssimo. A resposta do público comovente. Mas algo não se repetiu relativamente ao concerto de há dois anos em Paredes de Coura. Aquele arraso de ir às lágrimas a cada música.
Não posso dizer ainda assim que Tv On The Radio foram melhores. Mas também não posso eleger Arcade Fire para primeiro lugar. Apesar de tudo.
Os Tv On The Radio foram incríveis. Qual demasiada luz do dia qual quê. Foram vibrantes e contagiantes. Arrasaram-me. Espero que ninguém meu conhecido me tenha topado, com certeza ficaria assustado. Mas eu não sei sentir as coisas doutra forma que não seja a rebentar. A baloiçar no abismo.
O início do tema Blues From Down Here é dos mais entorpecedores de sempre. Deixam-me em transe. Foi assim que estive o concerto todo.
Muito rapidamente e porque estou sem paciência para o assunto:
Klaxons foram uma desilusão.
Li por aí comparações muito cómicas e acertadas entre os Magic Numbers e os Kelly Family.
Estava sem paciência para os Bloc Party, já os tinha visto duas vezes e o último álbum é fraquinho, fraquinho.
Linda Martini, vão mas é beber absinto para ver se é desta que ficam em coma alcoólico. O pessoal agradece.
Clap Your Hands Say Yeah deram o pior concerto do festival. Se eu não os tivesse visto ao vivo em Barcelona, num excelente concerto, do qual até guardei um balão (agora reduzido a goma), não saberia o que pensar dos moços. A fazer frete ou não, o vocalista estava nitidamente farto das músicas – alterou-as todas no enrolar da língua. Pude, contudo, matar saudades daquela sua mania deliciosa de cantar fora do microfone no intervalo das letras.
Maximo Park no mínimo volume, por favor. Obrigada.
The Jesus And Mary Chain eram a minha grande expectativa do dia. Se eu conhecesse a fundo o repertório e morresse de amores teria chegado. Não chegou. A Just Like Honey foi cantada com total ausência de paixão.
LCD Soundsystem puseram-me a abanar as ancas, coisa que lhes agradeço. Ainda deu para os atrasados mentais infantilóides fazerem mosh. Era ter uma bazuca. Ou umas fisgas. Mas ironicamente diverti-me mais há uns anos no palco after hours em Paredes de Coura, quando nem sabia quem eles eram e dancei que me fartei, no meio de 10 amigos que estariam menos parados diante de um sinal vermelho de uma qualquer avenida demente lisboeta (já lá vamos).
Adorei Gossip, viva a chicha e o espaço que tive para dançar.
Graças a Deus que lá foram os Scissor Sisters. Assim pude jantar descansada.
Interpol foram muito bons. Eficazes. Mas não me maravilharam. A emoção de os ver ao vivo talvez tivesse chegado há uns anos. A segunda música foi logo a minha preferida, Obstacle 1, quando eu ainda não tinha espaço suficiente para dançar. Depois o pessoal manda umas cotoveladas e fica mais à vontade. Creio que nunca vou poder ouvir a The New ao vivo, mas agradeço a Stella Was A Diver (…) e o facto de quase nada terem tocado do novo álbum, ainda por mim desconhecido.
Underworld? Mas acham mesmo que eu ia ficar a vê-los depois de Interpol? Back to the hotel, enough of this shit.
Confirma-se, o SBSR é uma grande chatice.
Do que eu tive mais pena, no fundo, no fundo, foi disto. Mas vais pagá-las.
Chego ao Porto, pronta para a visita mensal à dentista. Levo um vestido colorido, às bolinhas, predominantemente azul. Acaba a consulta, vejo-me ao espelho. Tenho 4 novos elásticos nos dentes. Azuis. O sentido estético da minha dentista é extraordinário.
A questão estética, talvez por deformação profissional, choca-me pela negligência. Será que ninguém acha os limões...bonitos? Apetitosos? Fotogénicos?
Minha gente. Os limões são personagens deveras interessantes. Ninguém diria pela sua cor que trariam tamanha acidez no seu interior - uma prova de ambiguidade. Depois, conhecida a sua acidez, ninguém lhes adivinharia a utilidade do sabor e o sumo. São, portanto, surpreendentes alimentos para a alma, cof cof cof.
Outras razões para gostar de limões: a textura, a cor… as maminhas - logo duas mais bonitas que as dos pães.
Portanto, moi-je-lemonade, não entende a ausência do limão como elemento estético e como elemento da moda. É claro que eu nunca poderia vincular-me a personas óbvias e fáceis. Mas a moda não é apenas uma plastificação desinteressante.
É por isso que muito me apraz, não, muito me delicia (ai que me dá um chilique), ver esta menina-dona-tangerina, dedicar-se aos limões. É claro que os citrinos conhecem a sua espécie e cantam-na, é de lei.
Tenho por conseguinte o dever moral e emocional de fazer um ultimato:
Menina tangerina, saturnina calamidade dos buracos negros, és uma mulher morta se não me dás a exclusividade do número 29! MORTA! PUM! PA! PIMPUNETA! PITAPITAPITUXA! PLIM!
Agora é contigo. (la la la)
Estou disposta a pagar o caixote inteiro. Estou disposta a pagar o preço da exclusividade com reverência q.b. até ao fim dos nossos dias. E mais não digo a que estou disposta. A vida ensinou-me a não revelar demasiado.

© Isabel Lhano*
E eu digo: “abraça-me”. E os teus braços fazem-se.
E eu digo: “abrasa-me”. E tu fazes-te em braços.
É neste momento que a camélia, escondida, se ruboriza e a página tinge-se sem perfume.
Joana Serrado, Tratado de Botânica, Quasi Edições
*e o tanto que eu queria ver esta exposição da Isabel Lhano em Lisboa...

© Maria Flores
"Limão, fruto desconhecido mas doce
Foi uma limão, uma menina (em flor de) limão a causadora da minha entrada neste mundo desconhecido. Claro que eu busco as 250 pessoas que leram o meu livro (os meus leitores- que magnífico possessivo). Mas foi num blog que me redescobri: a minha leitora, fruto amargo e desconhecido, que comigo partilha uma biografia errante entre as cidades que ( e não onde) escrevo. Aveiro, onde secretamente nasci; Coimbra, minha naturalidade oficial e estudiosa; Porto, cidade que amo.Ando há 5 anos a escrever um poema sobre o Porto e não consigo terminar. É isso que me faz acordar todas as manhãs: "pode ser que seja hoje". Pode ser que tu, limão, já que me entregaste as tuas costas, me dês também o final da minha epopeia.
Preciso tanto de ti, menina limão, e de outros frutos leitores deconhecidos. Não são os vossos aplausos, ou palavras eruditas de pessoas sonantes nos circuitos oficiais, mas sim, saber que alguém, totalmente desconhecida, leu o meu livro. O nosso livro. Um leitor, leitora que, como eu, vê, lê Fassbinder e me conduzirá a mim, agora leitora, a outros autores, a outros caminhos , mas sempre escritos com o mesmo sangue.
Onde começa a leitora e acaba a autora? Como se escreve a leitura do mundo?Para ti menina limão, escrevo este blog."
Tratado de Botânica, o blog da Joana Serrado
(...)
vou tentar o indizível:
(...)
sei que percebeste.
tu percebes as coisas importantes.
obrigada por me encheres a casa de flores.
aviso: com o tanto que eu gosto da Menina Tóxica, só poderia estar a falar de uma feliz coincidência e não de um plágio.
Coimbra #1

© Menina Limão
Diz o Kaló, vocalista dos Bunnyranch, que Coimbra é a capital-nacional-da-esplanada-do-Tropical. Quanto a mim parece-me é que Coimbra é um mundo pequeno: bastou entrar na Mau Feitio para ser atendida por uma ex-colega da turma e bastou-me sentar na dita esplanada para me cruzar com o rapaz com quem tão bem tinha dançado uma mazurka no dia anterior, em Aveiro.
can´t stop won't stop
que mania de acorrentar o povo, pá

© Fernando Figueiredo
Às vezes a curiosidade mata, às vezes alimenta posts. Felizmente, cumpriu-se a segunda sentença. Rita e Hugo e demais curiosos:
lidos, alinhavados, digeridos, desarrumados no coração, cravados na mente, lugares de regresso, quem sabe,
os últimos cinco livros que li foram:
Bernard-Marie Koltès – Na Solidão dos Campos de Algodão (texto dramático)
Bret Easton Ellis – Psicopata Americano (ficção)
Joana Serrado – Tratado de Botânica (poesia)
Stig Dagerman – A Nossa Necessidade de Consolo É Impossível de Satisfazer (ficção pouco ficcional)
Anna Akhmatova – Só o Sangue Cheira a Sangue (poesia)
Adorei todos, com excepção de Só o Sangue Cheira a Sangue, que me desiludiu um pouco, já que de magnífico só tem o título (razão pela qual o comprei). E já agora, Na Solidão dos Campos de Algodão é genial.
Esperando ver a minha curiosidade insaciável satisfeita e porque sou uma macaquinha de imitação mimada that doesn’t take no for an answer, pergunto o mesmo ao Segismundo, ao Nicky Florentino e ao Marquês.
Como se não bastasse, pergunto o mesmo à Saturnine, à Cátia, ao Tiago, ao Miguel, à Menina Tóxica e ao Rf.
Carta aberta à Joana Serrado

© Standing Apart
Olá Joana-que-nasceste-no-ano-da-revolução-iraniana,
Vieste embrulhada em papel vermelho e, desembrulhada, uma dedicatória (…) de alguém que outrora me pertencera. Era o meu aniversário. Depois, bastou ler a nota biográfica para te saber especial.
Por isso volto a ti com sorrisos e amargura, como se volta sempre às coisas belas que nos ferem.
Dizeres que te dei alento, que vais fazer um blog para mostrares as tuas flores…é o elogio mais especial que já recebi desde a inauguração deste cantinho. É uma honra. Deste-me tu alento também. Gostaria que me avisasses quando estivesse pronto, para visitá-lo.
Vou por aí com o coração mais cheio. Eu sei que me repito. Mas eu é que agradeço.











