Exposição de fotografia da meninazul no bazaar, no Porto. De 4 de março a 1 de abril.

Sonhar com Xangai

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Em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita de 1 a 5 de Março.
design: menina limão.

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Composição: Menina Limão.
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(…)
Reflexo de sobrevivência ou não, tive medo que o fosse fazer algures, por isso aceitei ser mãe, mas negociei. Preveni que só queria uma.
(…)
Fizeram-me um exame e foi daí que se deram conta de que eu esperava gémeas. Perguntei logo se não eram siamesas. A ideia de ter duas crianças unidas pelo ombro, pelo pé ou pela passarinha repugnava-me.
(…)
Aos três anos, foi preciso levá-las à escola pela primeira vez. Até aí, tínhamo-nos desenrascado com a carrinha do meu marido, mas ele tinha escolhido a dedo aquele dia para estar fora, juro-vos. (…) Tive de a levar ao colo, eu que sofro das costas. E aí, por culpa da lei dos números, não cabiam no meu mini-Smart. Tentei meter uma delas na bagageira, mas estava cheia com as cadeirinhas. Sentei-as finalmente uma em cima da outra no lugar do morto, mas gritavam em altos berros, não conseguia ouvir nada do rádio. A manhã começava bem. Abri a porta e atirei a de cima para a estrada. E confesso não estar muito contente com o meu gesto, porque atirei a que se portava melhor.
Têm de compreender, eu tinha avisado o meu marido, não apanhei ninguém à traição, eu tinha dito que sim, de acordo, mas tinha dito uma.


Claire Castillon, O Insecto e Outras Histórias de Mães e Filhas, Oceanos
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Ao ínicio da tarde, T. encontra-se com F. para almoçar algures na Baixa do Porto. Entram numa tasca atipicamente iluminada e pedem ambos um bitoque. A tasca está cheia de velhos, mas na mesa ao lado da deles destaca-se uma miúda demasiado atraente para uma espelunca daquelas. A miúda levanta-se, aperta o casaco, pega na carteira e dirige-se para o balcão para pagar. Pelo caminho, olha para a mesa do lado e fixa T. até chegar à caixa.
– Viste aquilo? – diz T. para F.
– Puto – responde F. apontando para o queixo – tens ovo aqui.
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Sei muito bem o que estás a pensar: então agora já não basta ouvi-la, é preciso, ainda por cima, olhar para ela? (Pausa. Idem.) Eu compreendo-te. (Pausa. Idem.) Compreendo-te perfeitamente. (Pausa. Idem.) Uma pessoa parece não estar a pedir muito, há mesmo alturas em que seria quase impossível (Voz entrecortada.) pedir menos – a um semelhante – é o menos que se pode dizer – enquanto que na verdade quando se pensa bem – profundamente – afinal de contas o outro precisa tanto de paz – tanto que o deixem em paz – que foi talvez a lua todo este tempo – estivemos talvez a pedir a lua.


Samuel Beckett, Dias Felizes, Editorial Estampa

Lulu On The Bridge

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Em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita - Semanas de Culto #2.
design: menina limão.
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© meninazul


– Não me tinhas dito que a tua cor preferida era o vermelho? Não sei porquê, tinha ficado com essa ideia… Já leste a secção cultural? Supostamente o Rivoli é um sítio bom para passar esta noite, há lá um concerto duma banda qualquer. O crítico dizia que era…como era mesmo? Já não sei, mas pareceu-me bem. O que achas?
T. conduz em silêncio. Olha para mim, gira o volante, acelera, trava, volta a girar o volante, avista um lugar, estaciona. Puxa o travão de mão, desaperta o cinto de segurança, inclina-se para a esquerda, na minha direcção, põe-me a mão entre as pernas e beija-me ao de leve. Volta a encostar-se no banco.
– Miúda, quero fazer amor contigo. O que é que vais fazer em relação a isso?
Meu Deus, tanto romantismo despedaça-me o coração.
– Vamos – respondi – a minha casa é aqui perto.

Atention please: you are about to melt down.

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the lights go on
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade

when i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking



oh darling, come on, will you dance my darling?
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amanhã, no Clandestino.


design: menina limão.
(com a ajuda dos super-heróis manuel e lebre, fornecedores da matéria-prima)
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Morres-me todos os dias à hora marcada.

Desensina-me por favor.

há dias assim.
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© Moumine


Quero provar que é possível sobreviver-te sem corromper-te.

...and that's all i can say about today...

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Juventude em Marcha

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em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita de 15 a 19 de Fevereiro.
design: menina limão.
Vi pelo sitemeter que duas pessoas vieram parar ao meu blog porque escreveram no Google:


1. "videos casadas a foder"
2. "mamilos de meninas fotos"


This is the place buddys!

o P matou o PÚBLICO. este blog está de LUTO.

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A Ciência dos Sonhos

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em exibição no Cineclube de Aveiro até hoje.
design: menina limão.
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© Moumine


(…)
As casas espiam os homens
Que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
Não houvesse tantos desejos.
(…)


Carlos Drummond de Andrade, Poema de Sete Faces

Jarmusch Baumbach

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Big George: What's a philistine?
Sally: Well, it's just a real dirty person.


Dead Man, de Jim Jarmusch


Bernard Berkman: Ivan is fine but he's not a serious guy, he's a philistine.
Frank Berkman: What's a philistine?
Bernard Berkman: It's a guy who doesn't care about books and interesting films and things. Your mother's brother Ned is also a philistine.
Frank Berkman: Then I'm a philistine.
Bernard Berkman: No, you're interested in books and things.
Frank Berkman: I'm a philistine.


The Squid And The Whale, de Noah Baumbach

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Há um correio electrónico a repetir-se na minha janela do Messenger. Aparece no grupo Aveiro e aparece no grupo Porto. Mas a pessoa em questão nunca pertenceu ao Porto. Quando tento apagar esse nome do grupo Porto, desaparece de ambos os lados. Se a quiser manter, tem que ficar lá, em duplicado, a lembrar-me, inutilmente, que existe. Não posso com tanta ironia.

Fuck now Suffer later.

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– Tens uma boa barriga para tocar bateria.
– Porquê?
– Porque faz bac-bac. Vê-se que já engordaste uns quilinhos.
– Desde quando é que eu tive uma barriga esquelética? Tu nunca viste a minha barriga enquanto eu estive esquelética. E agora insinuas o quê? Que eu continuo esquelética, mas tenho barriga?
Ela levanta-se. Passa a mão na barriga, põe-se em frente ao espelho, tira a camisola e observa-se. A barriga faz uma ligeira curva, parece a barriga de um bebé. Começa a tocar-se, tira o soutien. Aperta os mamilos com força. Está viva, dói. Ele permanece distante, imóvel e observa-a também. Ela aperta os mamilos cada vez mais, fica excitada. Tira as cuecas, continua a tocar-se. Tem pequenos espasmos e de vez em quando olha para ele. Ambos pensam como seria bom voltarem a foder. Tocar bateria com o corpo um do outro. Ela vem-se, tremem-lhe as pernas. Ele não se vem mas pensa como seria bom vir-se dentro dela. Ambos permanecem onde estão. Seria uma insensatez moverem-se um centímetro que fosse.
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GALÃ (...) Isto é o que uma pessoa tem de mais precioso, aqui o cálice entre o braço e o antebraço. Beija-a.


Rainer Werner Fassbinder, Sangue no Pescoço do Gato, Edições Cotovia

ALICE.

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Necoz Alenky (Alguna Cosa D’Alicia) – Jan Svankmajer, 1988, 86’
Museu d’Art Contemporani de Barcelona – MACBA, 11 de Fevereiro de 2006.


Vi este filme fabuloso em Barcelona, numa sala repleta de criancinhas barulhentas. Não conheço caso de história infantil tão completa e unanimemente amada pelos adultos como a da Alice no País das Maravilhas. Infelizmente, nós por cá não teremos tanta sorte em ter acesso a esta relíquia. Se um dia se provar o contrário, aqui fica a recomendação. E uma parte da informação fornecida pelo museu acerca do realizador surrealista checo, Jan Svankmajer.


“O cinema de Svankmajer não se limita a um exercício estritamente cinematográfico, pelo que está contaminado pelas suas práticas no campo das artes visuais e da literatura. (…) Svankmajer, que pertenceu ao grupo surrealista checo, combina desde 1960 a realização de filmes com a criação de gravuras, desenhos e objectos e com a escrita de textos criativos ou ensaísticos. Animista, mais do que animador, fez “despertar” os objectos da sua letargia ao propor planos e sequências em que seres humanos e objectos convivem fantasticamente. Depois de uma reconhecida trajectória como autor de uma vintena de curtas-metragens, com títulos como Dimensions del diàleg, Jabberwocky e La caiguda de la Casa Usher (The Fall Of The House Of Usher), Svankmajer inicia-se no formato da longa-metragem com Necoz Alenky (Alguna Cosa d’Alicia), à qual se seguiram mais vinte curtas-metragens – de entre as quais se destacam La mort de l’estalinisme a Bohèmia, Foscor, llum, foscor e El manjar – para retomar o formato da longa-metragem com Lliçó Faust, Els Conspiradors del plaer, El Petit Otik e o recente Bogeria. A Alice de Svankmajer (…) cativa as crianças por meio de um mundo pleno de fantasia que os menos pequenos podem entender e querer também tocar. (…)”


títulos em catalão e espanhol + tradução da limão-que-arranha-o-catalão.

Para dar cabo do senhor STRESS, fazer o favor de entrar aqui.
(embora se revele contraproducente)

Arquivo Pornográfico

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© David LaChapelle [porm.]


Obscena é esta exposição de carne vazia de outra carne.



Creio que foi na semana passada que no programa da Rtp Cuidado Com A Língua, a peça a decorrer tinha como música de fundo esta maravilha sueca.

Arregalaram-se os meus olhos de espanto. Boa escolha.

notas para não esquecer

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rever os modos de me aproximar à morte
deixar-me mais tempo nos teus braços
ser a ferida que se oferece ao teu corpo
congelar-me nos teus olhos e esperar que ardas


Gato Legível

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Muito cedo na minha vida foi tarde demais.


Marguerite Duras, O Amante.

Com L se escreve Lixúria.

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© David LaChapelle

GALÃ (…) Gostas que eu te toque? Tenho a certeza que gostas. As mulheres casadas são discretas. Ficas a saber que a idade para mim não é um problema. Tive uma amante por exemplo que tinha para aí sessenta anos. Mas – é que é precisamente a carne cansada que responde com maior calor ao toque sapiente do amante. Amo-te. Gosto da tua cara, da raiz dos teus cabelos. És preciosa. Tens o brilho débil de um lírio. Vou-te fazer feliz, linda. Vou explorar todas as partes do teu corpo. Vais reconhecer a tua pele com os meus dedos. Nunca mais vais esquecer nada.

Rainer Werner Fassbinder, Sangue no Pescoço do Gato, Edições Cotovia