ao cuidado da minha cliente, cuja tese estou a paginar:
silêncio
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silêncio
silêncio
Vénus de Mil(h)o
bicho máscara clandestino beijo
– Vinte e três. Não tem tido sorte com o amor. Esteve noiva duas vezes...e teve muitos casos.
– Isso incomoda-te?
– Sim, incomoda...A franqueza dela é desagradável. Ela insiste em dar-me os detalhes do seu passado erótico. Sofro de ciúme retrospectivo. Ela não tem ilusões...E não tem grandes esperanças para nós os dois. Ela sabe que eu voltarei para ti. Parece um melodrama vulgar.
– Dão-se bem na cama?
– Sim, damos. Ao princípio estava tudo mal. Eu não estava habituado. Quer dizer, a estar com outra mulher. Estragámo-nos um ao outro, tu e eu. Vivíamos numa bolha só nossa. Tudo aconteceu sem falhas. A falta de oxigénio abafou-nos.
– E a Paula vai ressuscitar-te?
Cenas da Vida Conjugal, Ingmar Bergman, 1973
Mister!, mister!, I have a tiny tiny bruise, right here. It really hurts! Can you see it?
Um dia voei – sem metáforas e sem eloquência. Se o voo se deu por impulso de uma bicicleta em pino, tal é um pormenor (será?). Qualquer voo que se preze acaba em aterragem, diz a lei da gravidade – e foi, de facto, grave. A minha deu-se no alcatrão, e em grande. Tudo pela animação da pasmaceira das terras alentejanas, que é como quem diz Arraiolos, porque me tinham alertado de que lá não se passava nada. De facto, era verdade, que o pessoal médico (ah. ah.) do Centro de Saúde da terriola até franziu o sobrolho à obrigação de levantar o rabo do cadeirão, ao mesmo tempo que interrogava: já chegaram os aliens? É agora, santíssima? Mas estou a adiantar-me. Como boa moça de educação católica que sou, dei a minha face (esquerda) ao embate, e entenda-se por face toda a metade esquerda do corpo. O que significa ter poupado a metade direita e ter decidido estuporar a esquerda não sei, e gostaria de pensar não ter sofrido uma queda freudiana de motivações políticas, até porque eu ia jurar que teria preferido estuporar o outro lado. Querem que eu passe à frente e relate de uma vez por todas as mazelas, não é? Azarinho, não o farei. Serve esta história para homenagear o meu sentido de humor, o verdadeiro resistente à desgraça. Eu, que sou alarmista e paranóica, fui dando provas várias ao longo da vida (houve acidente muito pior aos oito anos) da minha faceta contraditória, ao conseguir manter a calma ou até a conseguir brincar em situações de (auto)desgraça. No caso, valeu-me estar com amigos, que imediatamente se acercaram, deparando-se com um corpo imóvel no meio da estrada, pontuado por um rosto sorridente que perguntava: acham que parti a bacia? Serve esta história também para pintar (ou tirar a pinta a)o povo alentejano: é mesmo verdade que não há nada que os abale. Não se passa nada? Olhe, acabou de aterrar um meteorito, compadre. Eh pá, já lá vamos (amanhã ou assim). Passavam carros e nenhum parava. Eu acenava-lhes e ria-me, voltem sempre, que amanhã, por este (não) andar, ainda cá estará a aberração para mostra. O pior foi depois, quando me levantaram e optaram pelo baixar do véu sobre a anca, que revelaria a origem da minha dor. Aí, não houve sentido de humor que resistisse. No fundo, serve mas é esta história para falar do quão ridículos conseguimos ser: com dores e estatelada no chão, estava-se mesmo bem. Ao vislumbre da ferida, funda e feia, ia desmaiando.
conspirações sobre constipações
i'm so psycho. won't you love me?

Revelação em praça pública: considero este o retrato perfeito de uma criança (pois, eu sei o que isso diz de mim). É da autoria da grande Sara Martins.
contribuir para a biblioteca pessoal com a capa mais feia de todas
se eu fosse um vídeo #5
I am waiting for my man.
A mulher aprende facilmente o jogo. Aceita-o. Confia-lhe a cinta às mãos. De cada vez, ensaia a pose e espera. Há tanta manipulação da parte dela como da dele. Ela sabe que ele virá. Até ao dia em que não vem.
Enfermeiras amigas no Andanças
- Força.
- Tens anemia?
- ?!...Tenho.
- Pois.
- Como sabes?
- É a tua cor.
- Estou ainda mais branca?
- É um branco diferente.
- Que fashion.
- Mostra-me os olhos.
(mostro-lhe os olhos)
- Confirma-se.
- Tudo para que te mostrasse os olhos.
- Claro.
- Sabes aqueles anúncios de Verão não abandone os seus animais nas férias?
- Sim.
- Levaste demasiado à letra aquel'outro não abandone a realidade nas férias. Eu estava a sair-me bem.
em busca do (des)equilíbrio
Tref - Dorothée (valsa)
(En)laços lentos/ Lume brando/ (An)danças.
(afinal, afinal...sempre terei férias. dia 10 volto para contar os suspiros - os meus e os dos outros peitos ao meu encostados)
fantasmas
Correntes
Finalmente bem acorrentada
1. dança/bailado (morro de saudades)
2. cinema (tenho perdido filmes por indisponibilidade. onde já se viu?!)
3. exposição (tenho falhado Serralves)
4. peça de teatro (vi há pouco tempo Platónov, no TNSJ)
- Um filme visto ou revisto recentemente e um filme que queres ver ou rever?
1. Margot At The Wedding (não compreendo como é que este grande filme não passou pelas salas de cinema).
2. Rever? Tantos.
- Um livro lido recentemente e um livro que queres ler ou reler?
1. A Mesa Limão, Julian Barnes (lido)
2. Liebe als Passion (O amor como paixão: para a codificação da intimidade), de Niklas Luhmann (quero ler muitos livros, como devem imaginar, mas este foi o meu ímpeto mais recente).
3. O Velho e o Mar, Ernest Hemingway (para reler).
Obrigada pelo interrogatório. Passo a corrente? Passo, pois. À Helena, ao Pedro (volta! vais responder, não vais?), à Sara, ao Daniel, à A., ao Luís, ao rf, ao Pedro, à ana c. (volta!), ao Pedro (o último livro que leste foi o Menina Limão, não foi?), ao João, ao luís, ao Paulo, à Miss Allen, à Ana, ao Pedro (eu nem me importo que não me respondas, desde que me leves contigo pela estrada fora. combinado? caibo na bagageira e sou tão agradável e fotogénica quanto uma das tuas fotográficas naturezas-mortas), à Wasted Blues (volta!), ao meu bicho do mato (volta!) e ao João, se o Simplício deixar.
(ia quebrar a corrente. mas depois, só para chatear, decidi atacar em força. isto do pessoal ter metido ou ir meter férias mete um 'cadito de nojo. toca a trabalhar!)








