Na minha adolescência, recebi de um apaixonado um ursinho de ganga. Vamos chamar-lhe Baptista Bastos” – disse-me. Eu não gosto de peluches e foi como se ele o adivinhasse – chamar-lhe Baptista Bastos foi a única maneira de torná-lo um incómodo respeitável.

© Heal Yourself
Hoje é a última aula de dança folk. No próximo ano lectivo, a professora estará em Lisboa. Quem não aproveitou as aulas não poderá perceber esta tristeza, este desconsolo.
O impacto desta notícia na minha vida seria, no fundo, nulo. Afinal, eu não estarei cá para viver essa ausência. Mas não deixo de sentir uma estranheza, por mais um ciclo que se fecha. Ultimamente, tudo na minha vida soa a definitivo. O curso acabado. As aulas de dança. As relações. Deixar a cidade.
São tantos os ciclos irreversíveis, todos eles tão importantes, que não tenho a menor dúvida: esta é a altura mais decisiva da minha vida. Tudo está em aberto, com algumas portas fechadas pelo meio.
dois anos sem fumar deves estar a gozar
Já lá vão dois anos e eu ainda não esfolei os joelhos em Fátima nem rezei o Pai Nosso, dEUS me perdoe, Virgem Maria me acude, que as outras Marias já nada podem por mim.

Recebi uma mensagem do meu ex-namorado e... pois, ele tem razão, eu já deixei de fumar há dois anos (por que raio é que eu achava que era há um ano é que não percebo).
Já agora, retomando o tema da crise e só para deixar de falar de mim à descarada, que já chega, hoje voltei a pegar numa buga, a bicicleta cá da cidade, depois de dois anos (agora sim com toda a certeza) sem pegar em qualquer veículo de duas rodas, e, porra, não consegui subir o raio da rampa em frente ao antigo Estrondo, sem fazer com que dois carros em sentido contrário esperassem que eu parasse com os ziguezagues. A boa notícia é que nenhum ficou demasiado entusiasmado para levar avante aquela típica deixa do "passa por cima oh camelo!".

Recebi uma mensagem do meu ex-namorado e... pois, ele tem razão, eu já deixei de fumar há dois anos (por que raio é que eu achava que era há um ano é que não percebo).
Já agora, retomando o tema da crise e só para deixar de falar de mim à descarada, que já chega, hoje voltei a pegar numa buga, a bicicleta cá da cidade, depois de dois anos (agora sim com toda a certeza) sem pegar em qualquer veículo de duas rodas, e, porra, não consegui subir o raio da rampa em frente ao antigo Estrondo, sem fazer com que dois carros em sentido contrário esperassem que eu parasse com os ziguezagues. A boa notícia é que nenhum ficou demasiado entusiasmado para levar avante aquela típica deixa do "passa por cima oh camelo!".
Lady Chaterlley
De vinte e quatro maneiras morremos,
De quarenta maneiras ressuscitamos em flores.
Joana Serrado, Tratado de Botânica, Quasi Edições
(lindíssimas estas metáforas do desabrochar das flores. o cinema já colheu aquela que é, por enquanto, a imagem mais bonita de 2007: aquela branca micro-flor na selva de Lady Chaterlley)
Diabo A Sete
Bom demais para ser verdade.
Bom demais para ser verdade.
Há um ano deixei de fumar.
Esta semana fui à minha primeira aula de yoga.
Devo estar realmente a passar por uma crise.
Esta semana fui à minha primeira aula de yoga.
Devo estar realmente a passar por uma crise.

Chegam cedo de mais, quando ainda não podem escolher
nem decidir. Vêm carregados de espectros, de memórias
e de feridas que não souberam sarar; mas trazem a confiança
da cura nas palavras. Convencem-se de que amam outra vez
quando nos tocam os pequenos lugares, esquecendo-se do rumo
incerto dos seus passos nas estradas tortuosas que os
trouxeram. Abafam-se num cobertor de mentiras sem saber e
falam de injustiça quando tentamos chamá-los à verdade.
Dormem de vez em quando nas nossas camas e protegemo-los
da dor como aos filhos que não iremos ter nunca
porque não nos resignamos a perdê-los. E, um dia, partem, vão
culpados, não chegam a explicar o que os arrasta. Escrevem
cartas mais tarde — uma ou duas para se aliviarem dessa espada.
E nós ficamos, eternamente, sem vergonha, à espera que regressem.
Maria do Rosário Pedreira
ELAS ANDAM AÍ, NAS RUAS, NAS CASAS, NOS MONTES

Fui contratada para fazer mensalmente a agenda cultural do Mercado Negro. Já há duas semanas que ela por aí anda, em Aveiro, no Porto e em Coimbra. Agora já podem levar um bocadinho da limão para casa e ficar a par da excelente programação desta associação cultural (consultar blog para mais detalhes).
Porto:
Piolho
Plano B
Maus Hábitos
Contagiarte
Coimbra:
Teatro Gil Vicente
Feito Conceito
Tropical






© Menina Limão
O Pedro Lago, senhor de um blog muito respeitável, escreveu um texto a partir de um comentário que lhe deixei, aqui há tempos.
A banda sonora, se houvesse? I've Been Riding With The Ghosts - Songs Ohia. (hunting me like a ghost, actually).
"Ramblas
A menina lá continuava em Barcelona, entregue à geometria própria da cidade, sucedendo a dezassete endereços de quartos para alugar, todos eles falhados, uma maioria de razão que chegava a ser improvável não fosse a semelhança com o arrendamento em Lisboa. Na prática era quase isso, até o cimento era parecido com o de Lindavelha, a vivissecção acabava por dar asneira, transpondo o bom senso, excedendo-se na quantidade de informação julgada útil – aquela com que poderia lidar. Entretanto fazia de conta, ou melhor de número, seriam seis num quarto de hostel perto das ramblas, acabava por não ser excessivamente mau desde que apenas pretendesse esvaziar a cabeça, um ambiente assim tão pesado até preenchia o dia-a-dia. E estava calor, à noite estava muito calor e dentro dos bares & discos o calor era por demais, a estática prendia-lhe os movimentos e quase não dançava. As luzes terminavam mas nunca se apagavam, ou era alguém que entrava ou ela que saía, as espanholas para fora de casa, ela para dentro de duas ou três músicas. Vigiava o mail num computador com internet no laboratório do estágio."
Pedro Lago, aqui.
[A foto foi tirada em Barcelona. Regista uma intervenção urbana - inscrita na passadeira está a seguinte frase: "soñando cambias la realidad".]

Se Kubrick filmasse a versão feminina do Laranja Mecânica, a protagonista poderia ser a Suspiria Franklin. Com o globo ocular a fitar-nos fixamente, imaginá-la a torturar bichinhos ao som de Beethoven é tarefa fácil. No mundo da música ela é a Karen O portuguesa, mas a Karen O é um animal cinematográfico e a Suspiria não precisa de muletas. No mundo da música ela É a vocalista de Les Baton Rouge e no mundo freudiano ela é o meu divã. Sexual animal nada minimal, aquilo que eu sei é que no Sábado, dia 9 de Junho, o auditório do Mercado Negro transformou-se numa alcova filosófica governada por quatro sádicos a infligir-nos duros golpes de descargas eléctricas.
(Rock ‘n’ Roll. Eimen.)
estado de graça

Foi na sexta, dia 8, que Aveiro se vestiu de um estado de graça. De Paris para Lisboa e antes de encantar Barcelos, Chat deslizou com a elegância dos seres especiais até ao auditório do Mercado Negro, semeando pós de perlimpimpim a cada pestanejar.
Compositora francesa de seus 24 anos, com formação clássica e uma breve incursão em jornalismo, Chat era até há bem pouco tempo conhecida como Mademoiselle, antes de assinar um contrato com uma grande editora.
Não que isso interesse para explicar como conseguiu ela converter ateus à descida de anjos à terra e cépticos ao culto dos autógrafos e das sessões fotográficas.
Chat não é apenas uma menina que compõe ao piano feitiços em jeito de melodias e sussurros encantadores amplificados ao microfone. A miúda que eu dissera ser um espanto esgotou uma sala de criaturas em estado de levitação apaixonada. Uns a sonhar com algodão doce, outros com a caixinha de música da avó, outros a desenhar no ar castelos inacessíveis e promessas de (des)amor pautadas pelo doce trautear das teclas.

A Chat com o Manuel Dordio, membro da banda Jesus, the Misunderstood.

A Chat com o Manuel e o Tiago Sousa que a tinha precedido na primeira parte e que é também membro dos Jesus e dos Goodbye Toulouse. Os dois músicos a improvisar um coro num mau francês, que, segundo ela, foi exactamente o pretendido.
Este primeiro video capturou o belíssimo Alice, o tema que continua no topo das minhas preferências.
O segundo vídeo foi precedido de “This song is called Petit Con. It’s specially for Cláudia tonight”. (Tinha-lhe pedido para me avisar quando fosse tocar aquela música, porque a queria gravar. E ela dedicou-ma. Pronto, já parei.)
It’s not something I would recommend but it is one way to live.

Ingenuidade a minha achar-me
livre do buraco
negro espesso denso muito escuro
para onde escorregara olhando para o lado.
Buraco fosso cratera massa densa
por aqui os olhos não fecham nunca
as sombras não morrem nem quando a luz apaga.
Irrespirável. Tudo normal.
De punho cerrado a enlouquecer muito.
(The reasons all have run away
But the feeling never did
It’s not something i would recommend
But it is one way to live.)
We might die from medication but we sure killed all the pain.

Ingenuidade a minha achar-me
livre do buraco
negro espesso denso muito escuro
para onde escorregara olhando para o lado.
Buraco fosso cratera massa densa
por aqui os olhos não fecham nunca
as sombras não morrem nem quando a luz apaga.
Irrespirável. Tudo normal.
De punho cerrado a enlouquecer muito.
(The reasons all have run away
But the feeling never did
It’s not something i would recommend
But it is one way to live.)
We might die from medication but we sure killed all the pain.
.loop obscuro.
1.hoje é dia de David Lynch.
2.hoje é dia de David Lynch.
3.hoje é dia de David Lynch.
4.jsu nhbf hgyd kioi9f kkjjg.
2.hoje é dia de David Lynch.
3.hoje é dia de David Lynch.
4.jsu nhbf hgyd kioi9f kkjjg.
Inland Empire

Moi-je-lemonade está tremendamente, entusiasticamente, fantasticamente, brutalmente contentinha por passar no Cineclube de Aveiro o genial e único David Lynch. Neste caso é o Inland Empire, podia ser qualquer outro. Como disse há tempos no Ípsilon o Luís Miguel Oliveira e muito bem, um filme deste cineasta é um acontecimento. E acontecimentos merecem ser celebrados.
Em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita de 7 a 11 de Junho.
design: menina limão.

Portugal que se cuide
vem cá a Mademoiselle
agora conhecida por Chat
sa musique c'est très belle
é no Mercado Negro em Aveiro
por uma ninharia de dinheiro
é um milagre vos garanto
a miúda é uma espanto
dia 8, sexta-feira
todos colados à cadeira
sairemos derretidos
viciados e rendidos
chat a.k.a. mademoiselle a cantar The Clash - Guns Of Brixton
Basta ouvir a primeira música do myspace "alice" para confirmar o que digo. imperdível!
www.myspace.com/mademoisellecha
mais informações em: mercadonegro-aveiro.blogspot.com

© Cloverpunk
Só há um sentimento que consegue ser completamente inútil, absolutamente autodestrutivo e particularmente torturante - o ciúme.
Torna animal até a criatura mais autocontrolada e racional.
Depois, ao ciúme podem juntar-se todos os outros sentimentos odiosos, a começar pelo ódio. Odiar todos os que estão imunes ao vírus e que achamos que deviam sofrer um certo flagelo cortante. Como quando tiram partido da posição frágil dos ciumentos para torturá-los mais.
Só existem duas classes de pessoas (oh, a redutora fórmula absolutista): as que sentem ciúmes e as que não sentem ciúmes.
E as primeiras, foda-se, hão-de estar sempre na merda.

a lebre é a lebre é a lebre
a lebre é linda
a lebre é especial
a lebre tem o blog mais bonito da blogosfera
a lebre faz anos
happy birthday
dance the funky chicken
allright
oh yeah

I'm From Barcelona - Tree House
(nobody can see us, it's a you and me house)

Cheguei tarde? Mas quéquisso interessa?
Ela ainda faz a festa:

© behind infinity
BLOOD IS THE NEW BLACK.

Launched in 2004 by Mitra Khayyam, Blood is the New Black seeks to serve two purposes:
1. To showcase emerging artists in order to aid their careers in the arts.
2. To introduce consumers to artists they may not have the opportunity to know about otherwise. (site)
Adoro o logotipo da Keren Richter, assim como a ilustração, mas a minha vénia vai para o nome da empresa.
blood is the new black é todo um poema.
Os Mutantes

Em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita de 31 de Maio a 4 de Junho.
design: meninalimão.
[exercício de desenrascanço: como fazer um cartaz em 10 minutos quando nem sequer existem imagens do filme com dimensões acima dos 5x7 cm?]














