Blush (She Says That None Would Have Her)

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your fire burns for me
red as grace
the blush came easily to your face
your fire burns for me
red as grace
and she says that none would have her


Woven Hand, Story And Pictures

obra-prima


Blush, de Wim Vandekeybus.


Se não houvesse quaisquer constrangimentos e eu mandasse no Cineclube, passava este filme todas as semanas, para quem estivesse disposto a morrer ciclicamente de intensidade. Ao fim de um mês, talvez tivessem aparecido mais do que 6 espectadores, precisamente o número de pessoas que ontem esteve na exibição do mesmo no GRANDE AUDITÓRIO do Teatro Aveirense (!).


Recomenda-se vivamente, tal como é suposto fazer-se com todas as coisas geniais, a banda sonora dos Woven Hand (ou seja, do senhor David Eugene Edwards).

Blush

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Quem viu o espectáculo de dança Blush, do coreógrafo Wim Wandekeybus, certamente terá essa noite gravada a título vitalício. Nesta bússola encarnada e pulsante que trazemos e que por vezes nos roubam, os ponteiros dançam baralhados: nela não cabe o que nos arrasa, antes extravasa e explode. Estilhaços é uma palavra mais do que uma palavra, é um estado onde dormimos em carne viva.



Até hoje não tive nenhuma experiência de palco tão ou mais avassaladora que esta e não posso explicar, não sei, não consigo articular o porquê (nem ontem com a Companhia Nacional de Bailado a interpretar a peça “Dualidade” do coreógrafo Gagik Ismailian e a emocionar-me até às lágrimas). Fragmentos posso enumerá-los: o cenário, a música e a mais divinal poesia visual alguma vez presenciada. Poesia visual, não. Poesia, ponto final. E a música, do meu adorado e até à altura desconhecido David Eugene Edwards, no projecto Woven Hand, fez-me correr como louca à procura de um Multibanco que me concedesse a preciosa quantia que necessitava para comprar o cd à saída do espectáculo. Apenas consegui ganhar uma noite no hospital a tratar do nariz (por pouco partido) da minha mãe que me acompanhava e que terá dito muito mal de mim na sua reza nocturna. Mas isso não interessa nada.



O que interessa é que depois do espectáculo, veio o filme e este pode ser visto às 22h do dia de hoje no Teatro Aveirense.

Contactos.

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Tão longe, Joanna?!! não pode ser, não, não, não.


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Ah bom, assim está melhor, bem pertinho de mim, assim, na segunda fila.



(pois é, os bilhetes podem não estar à venda, mas o lugar na segunda fila já é meu há duas semanas, hihihi)

um-dois-hop-um-dois-três-um-dos-hop-um-dois-três.

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© smokeribbons


Naragonia - Alio



Não dancei a polka como previra, mas dancei finalmente uma mazurka e posso dizer, ou antes decretar, que é a dança-mais-bonita-mais-que-todas.
A haver uma dança do amor, uma dança que o personifique, essa dança é a mazurka.
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Eu pensava antigamente… (Pausa.) … digo eu: pensava antigamente que não havia diferença nenhuma entre uma fracção de segundo e a fracção seguinte.



Dias Felizes, Samuel Beckett, Editorial Estampa



(Isto para disfarçar que este é mais um apontamento sobre as aulas de dança folk, a decorrer no Salão Nobre do Teatro Aveirense, às 21h30. Hoje vou repetir a polka. É maravilhoso rodopiar nos braços de outro)

WONG KAR-WAI É DEUS.

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© Cloverpunk


"O DESEJO FILMADO MUDO
APONTAMENTOS SOBRE O OLHAR DE WONG KAR-WAI



Wong Kar-Wai é um realizador de Hong-Kong, o que nos diz muito pouco. Wong Kar-Wai pode ser o maior cineasta vivo, e essa suposição discutível diz-nos um pouco mais. Por esta altura, os seus filmes mais conhecidos serão "2046" (2004) e "Disponível Para Amar / In The Mood For Love" (2000). Mas o culto começou em "Chungking Express" (1994). Provavelmente, todas as frases feitas sobre Wong Kar-Wai são verdadeiras, porque o exagero é difícil. A primeira de todas dirá algo sobre os seus filmes serem um deslumbramento visual – e é verdade que as imagens que Wong e o seu director de fotografia Christopher Doyle têm vindo a criar são asfixiantes. A segunda frase feita deverá ser sobre o lendário perfeccionismo de Wong – e é verdade que ele filma e refilma e hesita e corta e foi por isso que "2046", por exemplo, demorou quatro anos incessantes de trabalho. Isto pode dizer brevemente quem é Wong Kar-Wai. Mas o que verdadeiramente interessa é saber o que olham os seus olhos. E como.



Desejo é uma das palavras-chave em Wong Kar-Wai. A outra é desencontro. No cinema de Wong Kar-Wai, o que se ouve resume-se assim: a música é uma personagem, as palavras sucedem-se aparentemente banais mas são como poemas e o desejo é sempre mudo. Em momento algum se ouve uma personagem confessar a outra o seu desejo. As poucas confissões são-nos ditas em voz off e nunca são lineares. Cada personagem de Wong tem um mundo próprio mas, paradoxalmente, são todas vulneráveis às circunstâncias. As personagens de Wong vão encontrando o amor mas são sempre inábeis, mesmo quando parecem fatais. A cidade é a personagem quase invisível mas permanente, o mecanismo que permite todos os (des)encontros. Mas o que importa, o que marca, é o desejo. O desejo é uma questão de distância. E Wong enfatiza essa certeza em cada gesto de cada personagem. O modo como Wong filma torna o desejo palpável, de tão denso. Em nenhum caso é mais evidente do que em "Disponível Para Amar". As imagens de "Disponível Para Amar" deslizam. Mas os gestos das personagens são contidos, carregam toda a consciência de um desejo reprimido. Não há uma declaração de amor. Não há um único beijo. A linguagem é meramente corporal. A história – e é a história desse desejo – concentra-se nessa gestão insuportável de distâncias entre duas pessoas muito próximas mas irremediavelmente afastadas."



(...)



Pedro Jordão, no blogue epiderme (texto completo aqui
)

Only Skin

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© Menina Limão



Joanna Newsom - Only Skin (excerto)



Ilustração em cinco tempos da Only Skin da Joanna Newsom não é tarefa fácil. Porque a música tem 17 minutos, porque é algo surrealista e porque é transbordante e as coisas transbordantes não se domam no papel.
Optei por traduzir o essencial, ou antes tentar - que sempre nos falha o transcendente. A música começa com um estampido e vai-se desenrolando em apontamentos quase avulsos até desencadear na matéria da catarse. É como estarmos num longo e serpenteante mar e ansiar por atingir a costa. Por volta do minuto doze as ondas rebentam e ao largo da costa há um abandono, uma entrega, a apoteose de um amor que nos esgota. Acabamos estendidos na areia, com o mar a enrolar-se nos membros, tentando recuperar o fôlego.



Não vou explicar demasiado. Vou apenas deixar-vos alguns dos minutos mais arrasadores da história da música (...) e transcrever os excertos de texto que me serviram de ingredientes. As muitas referências ao mar, ao rio, ao fogo, a fluxos serpenteantes e caracóis e espirais ditaram a estética do trabalho. The rest is history.



And there was a booming above you
That night, black airplanes flew over the sea
And they were lowing and shifting like
Beached whales
Shelled snails



(…)



My sleeping heart woke, and my waking heart spoke



(…)



And the shallow
Water
Stretches as far as I can see
Knee-deep, trudging along
A seagull weeps; "so long"



(…)



Are you mine?
My heart?
Mine anymore?



(…)



You stopped by, I was all alive
In my doorway, we shucked and jived
And when you wept, I was gone:
See, I got gone when I got wise
But I can't with certainty say we survived



Then down, and down
And down, and down
And down, and deeper
Stoke without sound
The blameless flames
You endless sleeper



Through fire below, and fire above, and fire within
Sleeped through the things that couldn't have been if you hadn't have been



And when the fire moves away
Fire moves away, son
Why would you say
I was the last one?



All my bones they are gone, gone, gone
Take my bones, I don't need none
Cold, cold cupboard, lord, nothing to chew on!
Suck all day on a cherry stone
Dig a little hole, not three inches round
Spit your pit in the hole in the ground
Weep upon the spot for the starving of me!
Till up grow a fine young cherry tree



Well when the bough breaks, what'll you make for me?
A little willow cabin to rest on your knee
What'll I do with a trinket such as this?
Think of your woman, who's gone to the west
But I'm starving and freezing in my measly old bed!
Then i'll crawl across the salt flats to stroke your sweet head



Come across the desert with no shoes on!
I love you truly, or I love no-one



Fire Moves Away
Fire moves away, son
Why would you say
I was the last one?



Clear the room!
There's a fire, a fire, a fire
Get going, and I'm going to be right behind you
And if the love of a woman or two, dear,
Could move you to such heights, then all I can do
Is do, my darling, right by you
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Hoje todas as danças são clandestinas.
Todos os desejos a romper os bolsos.
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depois do jantar
as mulheres falam muito
os homens estão quase sempre calados
atentos
perseguem-nas com olhares ternos
os dedos movendo-se hesitantes em redor dos copos



elas falam sem cessar riem
perdem o fôlego comem bolos
voltam a rir cada vez mais forte
bebem anis sabendo que os homens as observam
silenciosos amam-nas furtivamente no escuro das casas
importando-se pouco que elas se embriaguem
devagar



as mulheres falam muito
têm o riso arguto nos lábios acesos pelo anis
sempre que os homens as desejam
noite adiante... calados



Al Berto, O Medo
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© meninazul


AQUI CELEBRA-SE O DIA MUNDIAL DA POESIA DE BASTIDORES
porque eles merecem:



estranho é esse teu desabamento fora de tom
como se o teu corpo desmontado soasse mais
inteiro. nesse teu jeito de mãos vazias
o abandono é o que tens de mais portátil
e nada se por nada entendermos tudo
o que do mundo depois de ti restou
poderá dizer a brevidade do nosso encontro


mas a desmesura alimentou-se do mínimo
instante do teu sono nos meus braços da tua
dança dos teus passos sobre mim
como uma estrada em construção. hoje
os teus passos são longe e a estrada
que não vem em nenhum mapa ficou a meio.


(mas eu conheço-lhe o destino que anotei
na mão como uma instrução de última hora.)


Pedro Jordão.
aqui




do dia em que saíste sobrou a insónia
método mais que imperfeito para medir as noites


os lábios quando já desistiram de ordenar palavras
insistem no passado


apago as luzes


não quero que a ausência seja bonita
mas o esquecimento não te faz transparente


Maria Sousa
aqui






so this is literature #2


aquele que traz
o coração ao pé da boca
vive do sabor rubro do sangue
e corta o pão
com a faca
sempre demasiado perto dos dedos.


saturnine
aqui






fui
com rodas silenciosas nos pés
ver se encontrava uma torneira
que me enchesse este buraco no peito.
por agora é lá que guardo os meu braços,
nas galerias internas que me acomodam os gestos.
e assim, seguro ao que resta,
evito perder mais partes de mim.
o buraco tem o tamanho exacto
da minha mão fechada.
por vezes finjo que os braços são vias
e que o sangue corre, involuntário,
alheio ao meu movimento.


papel químico
aqui
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MODELO Gosto muito de mim. Não vou deixar que ninguém se intrometa.


Rainer Werner Fassbinder, Sangue no Pescoço do Gato, Edições Cotovia

Rodschenko vs. Franz Ferdinand

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sim sim sim sim sim sim sim sim sim sim sim

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Wordsong no Mercado Negro! Esta Quinta, às 22h30. Os bilhetes estão à venda no bar por 7,5€.


programação aqui.
ouvir aqui.

uma luta com o tempo por um pouco de tempo para mim.

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© Moumine


corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre corre limão! vais chegar atrasada à aula de danças folk.


[Hoje, no Teatro Aveirense, às 21h30.]

Crimes Invisíveis

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Em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita de 22 a 26 de Março - Semanas de Culto #4.

design: menina limão.

Link Me!

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(Post roubado à gaija lebre. Teve de ser por descarga de consciência: sim, eu admito que não devia estar a postar. Por favor, segurem-me!)
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© xxANGeLiCFRuiTCaKExx

Could you fall a little bit to this side please?

Read My Lips

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© Menina Limão


ler o amor em todo o lado.
(...)
não depende das letras,
depende dos olhos.


Pedro Jordão.
(loose lips sink ships)
(poema
aqui)


Resgatei este poema a propósito desta foto. Onde não consigo evitar ver, no lugar de um líquido viscoso que escorre, um beijo entre duas pessoas.

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© Moumine


Planos para hoje?
Dançar uma mazurka ou uma scottish ou qualquer outra dança folk que me queiram ensinar no Salão Nobre do Teatro Aveirense.

O Paraíso, Agora!

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Em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita de 15 a 19 de Março.
design: menina limão.

Pérolas

"Alguém do Brasil veio parar ao meu blogue à procura do número de telefone de Joaquin Phoenix. Lamento, caro/a visitante, mas só tenho na agenda telefónica os números que realmente me interessam. E neste momento está completa."
aqui.


"com amor, para o filho da puta que me levou o computador
MORRE."
aqui.


"É estranho, também não sei explicar, mas continuo escrevendo aquilo que que eu penso, e não aquilo que você pensa. Alexandre Soares Silva"
aqui.


"OS COMPUTADORES SÃO INÚTEIS. SÓ SÃO CAPAZES DE NOS DAR RESPOSTAS."
Picasso, no Público de hoje


"A polícia de El Salvador só percebeu que aquele homem alcoolizado e nu - à excepção de alguns acessórios sado-maso - era o embaixador de Israel depois de lhe retirarem uma bola de borracha da boca, o que lhe permitiu falar, descreve a BBC. (...)"
notícia, no Público de hoje (não, não é do Inimigo Público)

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Atenção senhores passageiros, dentro de momentos chegaremos à estação de Coimbra.


A caminho de Lisboa quis ficar-me por Coimbra. Nada como os compromissos para fracassar qualquer hipótese de impulso. Nos entretantos do trote do comboio – cantava-me o Pop Levi um assalto de açúcar – fui idealizando os passos. Entrelaçasse-se o dia com a noite e talvez dançasse
qualquer coisa com ela, depois de tomado um copo com Jesus. Delírios prontamente engavetados, que o dia avizinhava-se de trabalho. Pés na terra, sol nos poros, muito calor (engano-me sempre no casaco).


A Gulbenkian à espreita, o Bairro Alto de mãos dadas comigo à medida que alinhavava os despojos de dias solarengos como este, e muitas viagens de metro, qual revivalismo de Barcelona. Pelo meio, irresistíveis lojinhas de tudo e de nada unidas pelo bom gosto musical (Damien Rice numa, Casiotone noutra, Animal Collective…paro aqui e esqueço-me de fechar os parêntesis. Nesta última loja de roupas e acessórios, estavam à venda os álbuns dos Animal Collective e os do Panda Bear. E porquê? Ora, era uma vez uma menina-dona-de-uma-lojinha-de-roupa que foi ver os Animal Collective ali mesmo na capital. Conheceu o baterista, plim, apaixonaram-se, uf, tiveram um filho e agora ele vive por cá e ela vende-lhe os cds na loja. Fofo, não? Respondi à minha gira interlocutora que só pela história já tinha valido a pena a viagem.


Pelo caminho colei atrás dos olhos uma enxaqueca e debaixo do braço Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes. Combinam.


Foi um dia terapêutico, certamente o meu psiquiatra o teria recomendado se eu tivesse um, mas tudo o que eu queria era uma tarde enfiada na Cinemateca.

To Adore Is To Adore You

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Dia 3 de Maio serei em Braga uma pessoa muito mais completa. Obrigada (a quem quer que seja suposto agradecer) por tamanha prenda de anos.

agora gritai comigo:

(...)

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Arcade Fire – The Well And The Lighthouse


Certos nevoeiros musicais, com a sua densidade de coros celestes, estão para nós como os óculos para o Lobo Mau - servem para vermos melhor.

A genialidade comove-me. E a beleza pode ser insuportável. Dela não esperamos que inflija dor no lugar que queremos esquecer, nem esperamos que toque alguma das nossas campainhas proibidas. Só lhe pedimos que nos arrebate, assim desta maneira.
Nem sempre convêm estas lágrimas teimosas a assomar aos olhos, principalmente quando se está a trabalhar ou quando se está, sei lá, num café, mas há uma voz feminina que chega sem aviso e aí nada a fazer. Esta música é do novo álbum, Neon Bible. Não é tão bom como o primeiro, o Funeral, mas ainda assim é grandioso. (Não esquecer de confirmar aqui)
E depois há ainda este vídeo, que me comove como uma parvinha. Mas também... como não? Afinal, são os Arcade Fire e o David Bowie.


(está cumprida a promessa deixada no Solvstäg de responder com um post)
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Esta é uma prenda da Clara com quem partilhei o Iggy Pop, o Al Berto, o Principezinho, o Closer e a casa e que agora (que chatice, não é?) está em Paris. Obrigada Clarinha.
Estou debruçada sobre a Ria de Aveiro, tenho fome e sono. Acima de tudo estou só. Só, só, só. A minha noite programa-se em claro, diante do ecrã cansativo do meu pc, a bordar e bordar e bordar remendos de mim e do mundo. Uma directa a trabalhar, que bom. Ao menos sempre é um prémio de consolação fazê-lo em nome da perfeita Joanna Newsom.


Quando tenho de trabalhar no duro, é quando me ponho a sonhar com uma voltinha em Barcelona. Hummmm. Hoje é Quarta. Dava um saltinho ao City Hall, departamento Animal Pop Rock Club, onde a Carole nos daria rock até cair para o lado e onde dançaria desaparafusada, até ser hora de procurar os mini-croissants divinais que vêm em caixas de dois euros. Amanhã, Quinta, passava pelo Sidecar. E na Sexta, desembocava no Razzmatazz para ser engolida pela multidão.


Por enquanto, Aveiro. Ruas desertas, vozinhas de fundo que denotam a alegria de quem se vai deitar não tarda, carros que passam ao longe - e agora um silêncio imaculado, uma total ausência de forças e uma esperança insensata de que a minha solidão seja interrompida a meio da noite.
Ansiedade escreve-se em três tempos:


"The Lady From Shangai" - Wong Kar-Wai;
"Inland Empire" - David Lynch;
"Half Nelson" - Ryan Fleck.



HISTERIA também:


Arcade Fire - Super Bock Super Rock
Interpol - Super Bock Super Rock
Klaxons - Super Bock Super Rock



(e para se escrever a quatro tempos só cá faltam os Tv On The Radio, mas eu espero secretamente que Paredes de Coura os leve juntamente com os acima mencionados, que isto de ir a Lisboa fica muito caro e...Paredes é aquela coisa)
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A Flor Do Meu Segredo

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Em exibição de 8 a 12 de março, inserido na iniciativa Semanas de Culto - Cineclube de Aveiro/Cinema Oita.


design: menina limão.
Tenho tomado comprimidos de nostalgia, em grandes doses. Espero que sejam letais antes de me porem a caminho das urgências. Estes dias peguei nos meus cd's de fotografias e copiei tudo para o disco externo. Depois, iniciei a caminhada pelo passado. Dei por mim a dizer demasiadas vezes "ah que bem que ficava assim", "ohhhh pois é, já não me lembrava" etc etc.

Então resolvi voltar às trancinhas no cabelo e aos óculos. E depois tropecei nisto e sorri grandemente:



Men seldom make passes
At girls who wear glasses.


Dorothy Parker
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Chegam cedo de mais, quando ainda não podem escolher
nem decidir. Vêm carregados de espectros, de memórias
e de feridas que não souberam sarar; mas trazem a confiança
da cura nas palavras. Convencem-se de que amam outra vez


quando nos tocam os pequenos lugares, esquecendo-se do rumo
incerto dos seus passos nas estradas tortuosas que os
trouxeram. Abafam-se num cobertor de mentiras sem saber e
falam de injustiça quando tentamos chamá-los à verdade.


Dormem de vez em quando nas nossas camas e protegemo-los
da dor como aos filhos que não iremos ter nunca
porque não nos resignamos a perdê-los. E, um dia, partem, vão


culpados, não chegam a explicar o que os arrasta. Escrevem
cartas mais tarde — uma ou duas para se aliviarem dessa espada.
E nós ficamos, eternamente, sem vergonha, à espera que regressem.



Maria do Rosário Pedreira

(poema roubado à lebre do arrozal)