Para alguns, o problema não será só a cabeça, mas todo o corpo, que não acompanha o frenesim. Já vi muitas depressões começar assim: um corpo demasiado imóvel para uma cabeça excessiva.
Do Outro Lado + curta-metragem Inventário de Natal

Do Outro Lado é mais um filme excelente que constará, de certezinha, da minha lista de melhores do ano.
Inventário de Natal é uma curta-metragem de Miguel Gomes, o mesmo que realizou esse belo filme português - que provavelmente também constará da minha lista de melhores do ano - de seu nome Aquele Querido Mês de Agosto. Uma sessão imperdível, garanto-vos.
Em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita de 30 de Outubro a 3 de Novembro.
Odeio o Inverno
The last thing you're expecting when you're looking for a window
Is to see it look so gray
(…)
And I wonder if the snow will settle on the ground this year
I wonder whether losing you was such a good idea

© Dan Goodsell
Obrigada também pela foto da Laetitia Casta, tinha um casaco de ganga bem fixe.
Criatura

Criatura nº2 com poemas:
. do meu Pedro (Jordão)
. da minha Lebre (Maria Sousa)
. da Blue (Cláudia Santos Silva - que é também muito cá da casa)
. do Sérgio Lavos (que não conheço pessoalmente, mas a irmã diz que é fixe e eu acredito)
. e etc
Consultem o blog da revista, para saber onde pode ser adquirida. E comprem aos magotes.
bloody comes clean
A True Story Of A Story Of True Love
hoje

Eu, ele e a outra, clandestinamente. Nós gostamos disso. Só não fingimos que temos todos a mesma importância, porque quem manda ali é a outra (who else?) - a Inês Rodrigues - que traz o shake de Coimbra para distribuir pelo Mercado Negro e pelo Clandestino. O par Menina & Animal Moribundo só lá está no início para ligar o lume; depois deixa-se ficar a ver arder, que também é bom & bonito.
O design do cartaz é do... nem sei que nome lhe dar...do...do...gajo.
i will go so far for beauty
Jonquil - Lions
É a música mais apaixonante que vão ouvir este ano.
É a banda mais maravilhosa que descobrirão (?) este ano.
É o concerto mais imperdível deste ano.
(ok, ok, juntamente com a Scout Niblett, a Diane Cluck e The Kills)
Jonquil - Whistle Low
#72 - JONQUIL - Part1
by lablogotheque
Há meses que me emociono em loop com esta música, Lions. É a mais especial de todas. Não devo explicar-me: devem ouvir e ver aquilo que a Blogothèque quis registar assim mesmo: 6 músicos a dar corda aos peitos abertos algures num bosque. A cada audição, se a emoção não se contém nas artérias, no pulsar do sangue quente, são as lágrimas a denunciá-la. Já antevejo a festa e a catarse no auditório mais acolhedor que conheço.
Esta Quinta 23, às 22h30 no Mercado Negro (Aveiro).
(na ZDB dia 25)
o-meu-muito-meu-Rivette

Fui a Serralves ver La Religieuse, de Jacques Rivette. Não sabia que não era legendado e eu de francês pesco pouco mais que nada. Ver um filme sem entender a narrativa principal, faz-nos estar atentos a todas as outras narrativas. E se ver cinema é uma experiência religiosa (como não sê-lo?), esta foi ainda mais: não porque a temática se prestava a isso (embora a coincidência me divirta), mas pela entrega (ou mesmo devoção) a algo que não compreendemos totalmente. Dediquei-me, por exemplo, à narrativa das mãos de Anna Karina. Obcecada por mãos como sou e absorvida por todos os pormenores da interpretação das personagens, da composição dos cenários e da movimentação das câmaras, fui observando como as mãos das freiras, regra geral, se escondiam nas mangas e como as de Suzanne (A. Karina) se evidenciavam muito mais. Fui registando como se fechavam, como se entrelaçavam numa reza, como a unha do polegar se cravava no dedo indicador enquanto o rosto atormentado se exprimia em dor e revolta. Fiquei especialmente contente com o facto de ter compreendido o diálogo entre Suzanne e a freira lésbica, acerca do efeito da presença dos homens sobre a primeira – mas o resto foi-me escapando com frequência. Quando não entendemos os diálogos e apenas nos podemos concentrar nas expressões faciais, no tom de voz – entre gritos, sussurros, súplicas e simpatias – pomos a nossa imaginação a funcionar muito mais do que o normal e, de resto, intuímos – intuímos muito. Espero um dia poder confrontar o produto da minha imaginação com a realidade do filme, mas até lá La Religieuse é aquilo que eu já chamo my own private Rivette.
(Bónus: à saída da sala, dei de caras com Manoel de Oliveira e seu inseparável chapéu – escassos centímetros nos separavam. Apeteceu-me dar-lhe um abracinho, a si e aos seus iminentes 100 anos, mas resignei-me a uma vénia mental e a um sorriso para o ar. Que visão do caraças.)
Da intemporalidade dos triângulos amorosos
Francamente, eu não posso recusar a Alberto a minha estima. A sua serenidade oferece um frisante contraste com o meu género irrequieto, que não me é possível dissimular.
(…)
Não quero averiguar se já alguma vez a terá apoquentado com arrufos de ciúme; eu, no seu caso, não estaria muito descansado…Não fosse o demónio…
Seja, porém, como for, a felicidade de que eu gozava quando me via junto de Carlota desapareceu.
Que nome darei a isto? Loucura ou cegueira? Mas afinal que importa o nome? O facto existe!
Antes da chegada de Alberto, já eu sabia o que sei agora, sabia que não podia ter ideias nela, e nenhumas tive…se é possível não as ter na presença de tantos atractivos. E agora – pobre insensato! – abro uns olhos muito espantados, porque chega um outro e ma rouba!
Rangem-me os dentes e indigno-me furiosamente contra os que me aconselham resignação, visto que o mal já não tem remédio. – Para longe espantalhos!
Percorro as matas e, quando chego a casa de Carlota e Alberto está junto dela, sentado debaixo do caramanchão, podes calcular como fico… doido! Não me contenho! Não há disparate que não pratique! É exuberância essa loucura!
- Pelo amor de Deus! – disse-me ela hoje. – Não torne a fazer cenas como as de ontem à noite! O senhor é terrível quando está assim tão contente.
Aqui para nós, eu ando continuamente a espreitar quando Alberto tem afazeres fora de casa; e, quando isso acontece, em dois pulos estou ao pé de Carlota. Só eu sei como fico quando a encontro só."
Werther, Goethe
il ragazzo
faz parte
O Segredo de um Cuscuz

Em exibição no Cineclube de Aveiro/Cinema Oita de 16 a 20 de Outubro, aquele que constará de certezinha absoluta na minha lista de melhores do ano.
Mefisto-Mefez, volume IV
O desejo de exclusividade não conhece sensatez, como tudo o que projectamos no universo dos monstros.
o homem sem qualidades
frases feitas com títulos e contudo


© Menina Limão
A mim também ninguém me perguntou nada, mas vi algo semelhante no blog do meu bicho do mato, que por sua vez o viu no Bibliotecário de Babel e resolvi imitar a imitação. Não faço link para a minha amiga, porque ela é capaz de andar de pijama e chinelos. Não faço link para o BB porque seria desequilibrado - assim ficam em pé de igualdade: às escuras. De resto, quem não sabe a que bloggers me refiro, é porque anda a dormir e como uma boa professora diria: se fizessem o trabalho de casa, não estariam agora a falhar no teste e a precisar de cábulas.
Portanto, estes são os últimos livros em que peguei - ou que comprei, ou que li, ou que me foram devolvidos, ou que me foram emprestados (um).
E como já tinha este post preparado ontem e entretanto comprei mais livros, aqui fica um acréscimo decorrente da minha incursão à feira do livro do Mercado Ferreira Borges.


© Menina Limão

Pantaleimon (capa)
Apesar de saber-se atraída, reprimiu o desejo de lhe tocar. Pressentindo uma nebulosidade danosa, insistiu no olhar, esperando obter uma visão clara. Desenhou com os seus próprios olhos um traço imaginário e percebeu que da divisão do semblante em dois resultava uma dualidade moral: testa, olhos, nariz – metade acolhedora; boca, queixo, barba – metade temível. Os dentes a entrever-se nos lábios quase inexistentes, chamavam à trama uma densidade animal e perigosa – todos eles caninos. Os seus dentes afiados não ofereciam almofadas para encosto prévio. Dali, saía-se mordido. Do toque, imediatamente a ferida. Sem salvação, sem amortecimento, sem retorno e, do contorno, a marca.
Na mesa do lado do Mercado Negro, agora mesmo:
– A sério?
– Juro-te.
– Olha, mas tens de lhe explicar que isso não é possível. Os cães não reencarnam em humanos. Humanos reencarnam em humanos, cães em cães, não há misturas. Devias mesmo explicar-lhe. A sério que ele ladra? Coitado.
entrega ao domicílio, ou como distribuir o mal pelas aldeias



© Menina Limão
As fotos mostram exemplares das agendas culturais do Mercado Negro, do mês de Maio, com a Scout Niblett, e de Junho, com a Diane Cluck, que, como se sabe ou devia saber, são obra de design da Menina Limão (que gosta de falar de si na terceira pessoa - é o seu toque jornalista). São as sobras e estão aí para oferta, porque faço questão de distribuir o mal pelas aldeias. Quem quer o mal, quem quer?
Prometo envelopes personalizados, mas não cumprirei. Também prometo enviar as prendas para as moradas que me indicarem e não para a dos vossos tios-avós e esta promessa cumprirei, até porque não sei as moradas dos vossos tios-avós e nem toda a gente os terá. O meu mail está à disposição: meninalimao[at]gmail.com - abusem.
gonçalo m. tavares, numa crónica na visão durante o mês de agosto, no Apeloeh.
Preparação para o Outono (*)
A Ronda da Noite, de Peter Greenaway, TCA
Othon, de Straub & Huillet, Serralves
4 Out
Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas, TCA
5 Out
Persona, encenação d’As Boas Raparigas, Estúdio Zero
6 Out
O Meu Caso, Manoel de Oliveira, Serralves
7 Out
Os Canibais, Manoel de Oliveira, Serralves
8 Out
Non ou a Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oiliveira, Serralves
9 Out
O Sentimento, de Luchino Visconti, TCA
Josephine Foster, concerto no Mercado Negro (Aveiro)
10 Out
A Divina Comédia, de Manoel de Oliveira, Serralves
11 Out
O Rio do Ouro, de Paulo Rocha, Serralves
12 Out
Persifal, de Hans-Jürgen Syberberg, Serralves
A Canção de Lisboa, de Cottinelli Telmo, Serralves
Amarcord, de Fellini, TCA
13 Out
Fellini 8 e ½, de Fellini, TCA
A Caixa, de Manoel de Oliveira, Serralves
14 Out
Decameron, de Pasolini, TCA
O Convento, de Manoel de Oliveira, Serralves
15 Out
Contos de Canterbury, de Pasolini, de TCA
Party, de Manoel de Oliveira, Serralves
16 Out
As Mil e Uma Noites, de Pasolini, TCA
Paul Metzger, concerto no Mercado Negro (Aveiro)
17 Out
Blow Up, de Antonioni, TCA
18 Out
Conversa Acabada, de João Botelho, Serralves
Inquietude, de Manoel de Oliveira, Serralves
19 Out
O Último Tango em Paris, de Bertolucci, TCA
A Freira, de Jacques Rivette, Serralves
20 Out
O Monstro, de Benigni, TCA
Palavra e Utopia, de Manoel de Oliveira, Serralves
21 Out
Abril, de Nani Moretti, TCA
22 Out
Apaixonadas, de Tonino di Bernardi, TCA
Bord de Mer, de Julie Lopes-Curval, Cinemas Cidade do Porto (CCP)
23 Out
Respiro, de Emanuele Crialese, TCA
Jonquil, concerto no Mercado Negro (Aveiro. Yes! Yes! Yes! Yes!)
24 Out
A Janela em Frente, de Ferzan Ozpetek, TCA
Survivre Avec Les Loups (com música de Emilie Simon), CCP
Chrysalis, de Julien Leclercq, CCP
Deux Jours à Tuer, de Jean Becker, CCP
25 Out
A Melhor Juventude (parte I), de Marco Tullio Giordana, TCA
Le Tueur, de Cédric Anger, CCP
Délice Paloma, de Nadir Moknècle, CCP
Faut Que Ça Danse!, de Noémie Lvovsky, CCP (vou?/não vou?)
Les Fils de L’Épicier, de Eric Guirado, CCP (confusão no programa – dia 25 ou dia 26?)
26 Out
A Melhor Juventude (parte II), de Marco Tullio Giordana, TCA
Les Fils de L’Épicier, de Eric Guirado, CCP (confusão no programa – dia 25 ou dia 26?)
Toi & Moi, de Julie Lopes-Curval, CCP
Le Primer Cri, de Gilles Maistre, CCP
Valse Avec Bachir, de Ari Folman, CCP
27 Out
Cantando Por Detrás das Cortinas, de Ermanno Olmi, TCA
28 Out
Bom dia, Noite, de Marco Bellocchio, TCA
Et Une Poignée de Mains Amies, de Jean Rouch & Manoel de Oliveira, Serralves
29 Out
O Odor do Sangue, de Mário Martone, TCA
Vou Para Casa, de Manoel de Oliveira, Serralves
30 Out
O Princípio da Incerteza, de Manoel de Oliveira, Serralves
1 Nov
Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira, Serralves
A Silver Mt. Zion, no Passos Manuel (Yes! Yes! Yes! Há anos que esperava por este concerto)
2 Nov
Na Companhia de Max Linder, de Maud Linder, Serralves
(acaba) Persona, encenação d’As Boas Raparigas, Estúdio Zero
3 Nov
Do Visível ao Invisível + Espelho Mágico, ambos de Manoel de Oliveira, Serralves
Ladytron, Casa da Música (o bilhete já cá canta)
5 Nov
Belle Toujours, de Manoel de Oliveira, Serralves
6 Nov
Gertrud, de Carl Th. Dreyer, Serralves (yes!)
James Blackshaw, concerto no Mercado Negro (Aveiro. yes! e agora?)
9 Nov
O Aço, de Walter Ruttmann, Serralves
O Nosso Caso – Livro I Génese, de Regina Guimarães & Saguenail, Serralves
13 Nov
Aluminum Babe, concerto no Mercado Negro (Aveiro)
20 Nov
Tara Jane O’Neil, concerto no Mercado Negro (Aveiro)
17 Nov
Beach House, Passos Manuel (oh yes!)
20 Nov
Blood Red Shoes, Santiago Alquimista (e uma data no Norte, não?)
27 Nov
Tiago Guillul, concerto no Mercado Negro (Aveiro)
Resumo:
.Ciclo de cinema dedicado a Manoel de Oliveira (& outros), em Serralves.
.Ciclo de cinema italiano, no Teatro Campo Alegre (TCA)
.9ª Festa do Cinema Francês, Cinemas Cidade do Porto
.Concertos no Porto e em Aveiro
Nota 1: eventuais adendas em posts à parte.
Nota 2: Patrocínios, precisam-se!
Nota 3: Será difícil ir a Serralves durante a semana.
Nota 4: A vida é feita de escolhas tão difíceis.
handshakes - slip to the right/slip back to the left
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
- Esse livro que estás a ler é sobre o quê?
- Como?
- É sobre o quê, esse livro?
- É sobre o amor.
- Oh really?
- Sim.
- E estás a lê-lo porquê? É para diversão ou é para a escola?
- Não é para a escola e é mais do que diversão.
- Então se não é para diversão nem é para a escola é para quê?
- Instrução pessoal.
- Oh really?
- Sim.
- E conta uma história?
- Não, é um ensaio filosófico.
- Oh really?
- Sim.
- Vais sair em Espinho?
- Não, vou sair em Aveiro. E agora vou continuar a ler.
- Está bem.
só para dizer que
Esta Quinta, dia 2, o Cineclube de Aveiro reabre as portas do Cinema Oita, após as férias de Verão. Iniciando agora um novo mandato, o Cineclube regressa com um novo logotipo e com a habitual selecção de filmes imperdíveis. Ai de quem não se faça sócio e ai do sócio que não renove as suas quotas. E, acima de tudo, ai de quem não apareça.
Design do logotipo e dos cartazes: Menina Limão.








